1º Comunicado: Alunos – Direitos e Limites

 A solicitação da Representação Estudantil para contribuições relativas a alterações na norma disciplinar discente foi acatada e será reavaliada até o dia 9 de maio no Cepead. Como já discutido no Consuni e Cepead, essa norma é muito superior à anterior que, por sinal, só punia e expunha o aluno, mas, ao mesmo tempo, não permitia ação alguma. Há dois casos que exemplificam essa questão, todos envolvendo alunos contra alunos, e nada pudemos fazer a respeito, o que provocou frustração em todos os envolvidos, em um dos casos.

 Sejamos claros de uma vez por todas. Alunos ofendendo e desrespeitando docentes em sala de aula, escapando impunemente de colas, difamando autoridades da Unifei, invadindo espaços públicos, assediando e humilhando publicamente pessoas, inclusive seus próprios colegas, são ocorrências que não vão encontrar guarida nessa administração, nem com relação ao aluno, nem com relação a qualquer outra categoria em nossa comunidade.

 Por outro lado, o aluno que honra o investimento feito por seus pais e o imposto público revertido para que ele possa receber ensino de qualidade em uma instituição pública, com o propósito de se preparar para a vida profissional, pode, esse sim, se utilizar dos instrumentos de representação, que criamos e empoderamos nessa administração, para se manifestar e mesmo protestar, ainda que divergentes da administração, mas sempre com o respeito devido.

 Assim, afirmo que não adianta fazer pressão para arrancar à força a decisão que desejam à revelia das leis brasileiras e das normas da Universidade, porque isso não vai ocorrer.

 Vamos utilizar todos os meios legais e todas as regras da Universidade para coibir esse tipo de conduta nefasta e responsabilizar qualquer um que não siga as regras que nós próprios criamos, democraticamente, para o nosso convívio, em nossos fóruns coletivos e representativos de discussão e deliberação.

 Devo acrescentar que se a Representação Estudantil já era algo corriqueiro no campus sede antes de assumirmos o comando da instituição, foi apenas nessa administração que ela se constituiu e fortaleceu no campus avançado. Portanto, se hoje todos os setores de Itabira, sem exceção, têm representação nos fóruns da instituição, é graças a essa administração. Por sinal, vale destacar que essa questão da nomeação sequer existiria se o modelo que nos antecedeu persistisse. Modelo esse que, curiosamente, encontra simpatia em muitos que hoje bradam agressivamente contra essa administração.

 Portanto, amparado legalmente, assim como pelas regras institucionais que democraticamente criamos, não vou, de forma alguma, colocar na administração quem não compartilha dos mesmos ideais e valores da gestão atual.

 Experiências passadas demonstram que quando não há aderência de propósitos filosóficos entre a reitoria e a direção do campus, há prejuízos para toda a instituição, em especial para o próprio campus de Itabira. Como exemplo, cito as sucessivas postergações que atrasaram a construção do restaurante universitário (RU) de Itabira. As razões apresentadas eram relativas à localização e à necessidade de intervenção para correção de voçoroca na área escolhida pela então direção de campus. Inúmeros memorandos demonstraram nossas dificuldades e nossa insistência para mudança de local, visto que não possuíamos o recurso para essa intervenção específica e receávamos que poderia haver atrasos no início das obras do restaurante, o que, lamentavelmente, ocorreu. Atualmente, a mudança de área escolhida pela direção do professor José Eugênio permite o início do estaqueamento ainda nesse semestre. A voçoroca será, obviamente, reparada em outra intervenção, de tal forma a não atrapalhar o processo construtivo do RU.

 Quero lhes relatar o seguinte episódio. Na tarde da última sexta feira (20/04/18), fui convidado pela Representação Estudantil para uma reunião. Atendi prontamente, e lá chegando, deparei-me com vários representantes de ambos os campi com pessoas que não são representantes, mas que justificaram suas presenças por fazerem parte desse movimento que reage à decisão que tomei. Imaginei que o encontro seria apenas com representantes estudantis e não com um movimento que tem se notabilizado por uma agressividade ímpar na maneira como expõem e tentam impor suas posições. Ainda assim, na esperança de que algo positivo pudesse decorrer, eu me dispus ao diálogo e, com o espírito desarmado, apresentei a razões pelas quais tomei a decisão de nomeação. Devo admitir que me equivoquei e que eu deveria ter me reunido apenas com a nossa Representação Estudantil, uma vez que, logo após a reunião, o reitor da Unifei continuou a ser execrado publicamente nas redes sociais em textos agressivos, com ofensas variadas, inclusive com a participação, nos diálogos, de pessoas de reputação já notória em nossa comunidade acadêmica. Uma das alcunhas que me impingiram foi de dissimulado, mas suspeito que dissimuladas são as pessoas que covardemente induzem esses jovens a atuarem de maneira tão desrespeitosa e temerária. Uma parte disso é baseada, talvez, na crença de que não importa o quanto se ataque ou se difame, pois é sempre  possível se escapar impunemente das responsabilidades. Talvez muitos imaginem que seja fácil assediar as instituições e seus dirigentes com acusações sem fundamento, seja por e-mails anônimos e criminosos ou mediante denúncias que não se sustentam junto aos órgãos de controle. Talvez acreditem que seja mesmo muito fácil agredir verbalmente as pessoas que devotam boa parte de seu tempo à missão de dirigir nossas instituições e escaparem incólumes, alheios à dor que causaram, destruindo reputações, difamando e execrando seus colegas e educadores, simplesmente porque tomaram decisões sobre as quais não concordam e porque não são capazes de construir um processo argumentativo relevante e justo, sendo mais fácil desandar para a baixaria.

No que parece que já é a tônica nesse triste período por que passam as instituições brasileiras, gostaria de chamar a atenção para a crueldade com que os professores José Eugênio Lopes e Élcio Arruda vêm sendo tratados – verdadeiramente assediados moralmente em face da decisão que eu legalmente tomei. Truculência essa que não respeita nem seus familiares! É uma vergonha e um desrespeito, algo absolutamente injusto, porque ambos, assim como os demais candidatos, assinaram um termo, comprometendo-se a assumir seus cargos, caso eleitos.

 Os professores José Eugênio e Élcio não têm responsabilidade alguma na decisão tomada no terceiro estágio do processo eleitoral. Portanto, assediar ambos para que renunciem é muito injusto.

 Meu respeito e agradecimento a ambos por serem corajosos e verdadeiros no propósito que assumiram de se colocarem à disposição da Universidade e por não cederem ao assédio e às pressões ilegais. Os ataques, ofensas, difamações e mesmo ameaças – todas documentadas – que eu, minha equipe, candidatos e mesmo familiares – acreditem os senhores! – temos sofrido serão oportunamente tratados com os instrumentos legais à nossa disposição.

 Absurdamente, essa postura truculenta atingiu também um membro da Representação Estudantil. O nível de desinformação era tal que, em postagem anônima no Facebook, chegaram a acusar a Representação Estudantil, no Cepead, de “falta de compromisso e de seriedade” quando da deliberação da norma disciplinar discente. Ora, o representante estudantil estava muito bem preparado e dialogou com desenvoltura e conhecimento sobre a matéria, até porque já havia se reunido anteriormente com cerca de 50 estudantes, conforme nos relatou na referida sessão. A pessoa que se escondeu nessa postagem estava muito desinformada, pois não conseguiu sequer avaliar os avanços da presente norma, até porque parte dos entreveros que ela busca solucionar são de conflitos entre a própria classe estudantil. Foi graças ao representante estudantil que a norma será reapresentada ao Cepead para receber contribuições adicionais na sessão do dia 9 de maio. Dessa forma, seu apelo foi atendido para que houvesse tempo para participação de mais membros da comunidade discente. De fato, conforme poderá ser avaliado quando da aprovação da ata de referida assembleia, que será publicada até o dia 27 do corrente mês, o representante estudantil fez inúmeras contribuições que melhoraram o texto da norma. Desejo que esse indivíduo que postou anonimamente suas obtusidades possa contribuir para alterar e aprimorar a norma, haja vista que os discentes estão tendo tempo suficiente para apresentar suas sugestões.

 Esse relato detalhado que acabo de fazer esclarece o estado de coisas que tomou conta de nosso campus avançado. Alunos se excedendo e se expondo, em parte induzidos por indivíduos que não têm coragem de se apresentarem para um profícuo debate de ideias e preferem o manto covarde do anonimato para exercitarem a difamação contra a direção da Universidade e de seus conselhos. Apenas com o fortalecimento de nossos mecanismos internos de gestão e representação, assim como de responsabilização, é que a Universidade poderá ser fortalecida para bem exercer seu papel institucional.

Professor Dagoberto Alves de Almeida
Reitor da Unifei