Contribuições para o “Dociê”

 Recebemos denúncia oficial de preparação de um dossiê para influenciar na indicação do reitor da Universidade Federal de Itajubá (UNIFEI), no mandato 2021-24, denúncia esta corroborada por manifestações em rede social.

 O que me chegou ao conhecimento é uma peça tosca, incorreta e maledicente não apenas com relação à atual administração, mas também permeada de preconceitos. Assim, no intuito de contribuir para a confecção de um dossiê que seja mais completo e que não apresente incorreções, gostaria de fazer algumas contribuições no que tange ao papel que me foi designado nesse dossiê.

 Contribuição no 1. A primeira contribuição refere-se à foto na qual estou com a então presidente Dilma Rousseff, com os dizeres “Atual Grupo que dominou a Unifei desde 2013”, cujo objetivo é, óbvio, prejudicar a indicação de qualquer candidato vinculado à presente administração da UNIFEI.

 Vale acrescentar que esta foto é verdadeira e foi tirada quando estive em 2013, orgulhosamente representando a UNIFEI na entrega do Prêmio Jovem Cientista, por ocasião do 1º lugar obtido pelo nosso aluno Gustavo Meirelles Lima na categoria Mestrado e Doutorado.

 

 A foto registra o momento em que cumpro minha obrigação de reitor ao representar a UNIFEI nesse evento oficial, entregando um singelo brinde relativo à celebração do centenário de nossa Instituição.

 Contribuição no 2. Da mesma forma, seguindo essa mesma linha de raciocínio, sugiro que seja acrescentado ao dossiê a foto na qual tivemos a honra de receber na UNIFEI, em 2019, o Sr Vice-Presidente da República, Hamilton Mourão, ocasião em que foi calorosamente recebido por muitos de nossos alunos.

 

 Ao publicar a foto de 2013, o tal dossiê procura passar a mensagem de que o reitor é um militante radical de esquerda, assim como todos os que com ele trabalham e que, por decorrência, são todos opositores da linha ideológica do presente governo. Isso é de um acachapante mau-caratismo. Aliás, o que o dirigente institucional “acha ou deixa de achar” desse ou daquele governo – em minha opinião – não deveria ser relevante face às responsabilidades institucionais de seu cargo. Tal questão, por sinal, está registrada na Constituição Federal quando trata do Princípio da Impessoalidade, que todo gestor público deve praticar e respeitar.

 Contribuição no 3. Sugiro também que se adicione ter sido eu, poucos anos atrás, talvez, o único reitor federal que judicialmente conseguiu meios para que área invadida da Universidade por um pequeno grupo de radicais fosse liberada em menos de 24 horas.

 Contribuição no 4. Adicionalmente, insiram, por gentileza, ter sido minha atuação pragmática, visto que, recentemente, determinei que em nossa Universidade os alunos PNAES não terão, em absoluto, suas bolsas reduzidas em 2021 por conta de redução orçamentária na PLOA enviada ao Congresso.

 Contribuição no 5. Vale também registrar, no interesse de um dossiê mais autêntico, que, sob minha direção, esta Universidade continuou executando sua missão institucional de ensino neste período de pandemia com o Regime de Trabalho Excepcional, o RTE, o qual passou a ser referência para outras instituições de ensino superior. Para tanto, fornecemos, bolsas de internet, notebooks e mesmo kits para aulas laboratoriais. Isso não é trivial em lugar algum do mundo. Por favor, tenham a decência de colocar esta informação nesse dossiê. 

 

 Há tantas outras iniciativas que demonstram que quem, de fato, deseja atender os interesses da Instituição e não de indivíduos ou grupos não pode se enquadrar nessa ou naquela caixinha ideológica que, para prevalecer, refuta qualquer visão que não seja a sua própria ao se colocar em um mundo dividido entre apoiadores e inimigos.

 Quem rotula a mim e aqueles que fazem parte desta administração como sendo desta ou daquela linha extremista, de esquerda ou de direita, segue a lógica da separação, da divisão e da desavença. Essa postura de construir dossiês falaciosos e desconstruir pessoas e instituições é própria de quem procura a polarização do extremismo ideológico, que tanto prejudica nossas instituições e nosso povo.

 Tal conduta é decorrente da atuação de apoiadores de campanha que se intitulam como guardiães da moral alheia, as tais impolutas bem-nascidas; aqueles e aquelas que, covardemente, se escondem em personagens heroicos de nossa história, como Rui Barbosa e os inconfidentes; gente nefasta que acusa, debochada e cinicamente, de borra-botas aqueles que procuram simplesmente cumprir com zelo suas obrigações institucionais. Esse tipo de postura não se coaduna com os valores éticos – e mesmo religiosos daqueles que apregoam possuí-los – que se espera daqueles que se apresentam para ocupar cargos em nossas instituições públicas.

 A propósito, já ia me esquecendo de uma última contribuição: dossiê não se escreve com c.

Prof. Dagoberto Alves de Almeida

Reitor da Universidade Federal de Itajubá

Mandatos 2013-20