Outubro Rosa – O Câncer de mama não respeita seu gênero

O câncer de mama é uma patologia que acomete em maioria as mulheres. No entanto, deve-se saber que homens também podem ter câncer de mama e que a prevenção é fundamental.

Sim, homens também podem ter câncer de mama. Eles têm glândulas mamárias e hormônios femininos, ainda que em quantidade pequena. “A mama masculina é um órgão pequeno; o câncer de mama em homens é bem mais raro, mas acontece”, explica a Dra. Fabiana Makdissi, Diretora do Departamento de Mastologia.

Dos casos de câncer de mama, 1% é masculino. Para cada 100 mulheres diagnosticadas com câncer de mama, há 1 homem com o mesmo diagnóstico.

Normalmente, ele aparece em homens mais velhos, acima dos 60 anos, e pode ser mais frequente em homens cujas famílias apresentam muitos casos de câncer de mama (mesmo que em mulheres) e câncer de ovário.

Diagnóstico:

Justamente por ser mais raro, não existe rastreamento de câncer de mama (ou seja, não fazemos mamografia de rotina neles), a não ser que cheguem ao médico com alguma queixa na mama. Portanto, o mais importante: que cada homem preste atenção ao seu corpo.

Ao primeiro sinal de uma caroço na mama, ou inchaço próximo do mamilo, ou secreção pelo mamilo, é bom agendar um médico. O aumento da mama no homem, ou mesmo o caroço, pode ser só uma ginecomastia – o que é mais comum –, que significa um aumento totalmente benigno da glândula mamária do homem, sem risco para câncer de mama.

Sintomas:

  • Surgimento de um caroço próximo ao mamilo
  • Retração do mamilo
  • Dor unilateral na mama
  • Secreção pelo mamilo

Tratamento:

Como a mama masculina é pequena e os nódulos são atrás do mamilo, geralmente não temos como fazer cirurgias conservadoras (que retiram apenas parte da mama). A cirurgia costuma ser a retirada de toda a mama com a aréola e o mamilo tendo de sair como margem de segurança (mastectomia total), com a cirurgia axilar (retirada de um gânglio – linfonodo sentinela – ou de vários gânglios da axila) no mesmo tempo cirúrgico.

Outros tratamentos podem ser necessários, como nas mulheres: quimioterapia, radioterapia, bloqueio dos hormônios. Tudo vai depender do tamanho do tumor e de suas características biológicas (AC Camargo 2021)

Mas o que fazer para prevenir o CA de mama sendo do sexo masculino? Hoje vamos trazer informações que valem para todos!

Sabia que até 28% dos casos de câncer de mama podem ser evitados por meio de hábitos de vida saudáveis?

Praticar atividade física, manter o peso corporal saudável e evitar o consumo de bebidas alcoólicas e o tabagismo ajudam na prevenção (INCA, 2021).

Um fator de risco é algo que afeta sua chance de contrair/desenvolver uma doença como o câncer. Alguns como fumar, por exemplo, podem ser controlados; no entanto outros não, por exemplo, idade e histórico familiar. Embora os fatores de risco possam influenciar o desenvolvimento do câncer, a maioria não causa diretamente a doença.

Fatores que podem aumentar o risco de um homem desenvolver câncer de mama:

Envelhecimento.  Os homens são diagnosticados em média aos 72 anos. 

Histórico familiar. O risco de câncer de mama aumenta se parentes próximos da família tiveram câncer de mama. Cerca de 20% dos homens com câncer de mama têm um parente próximo (do sexo masculino ou feminino) com a doença.

Mutações genéticas hereditárias. Homens com alterações no gene BRCA2 têm um risco aumentado para câncer de mama. As alterações no gene BRCA1 também podem causar câncer de mama em homens, mas o risco não é tão elevado quanto para as mutações no gene BRCA2. As alterações nos genes CHEK2, PTEN e PALB2 também podem ser responsáveis por alguns tipos de câncer de mama em homens.

Síndrome de Klinefelter. A síndrome de Klinefelter é uma condição congênita que afeta 0,1% dos homens. Os homens com síndrome de Klinefelter têm testículos menores que o normal. Muitas vezes, eles são inférteis, por não produzirem espermatozoides funcionais. Comparados com outros homens, eles têm baixos níveis de andrógenos e aumentados de estrogênios, por isso frequentemente desenvolvem ginecomastia. Homens com a síndrome de Klinefelter são mais propensos a ter câncer de mama do que homens sem a doença. Ter essa condição pode aumentar o risco entre 20 a 60 vezes o risco de um homem na população em geral.

Exposição às radiações. Os homens que já fizeram radioterapia da parede torácica para outras doenças, como por exemplo, linfoma, tem um risco aumentado de desenvolver câncer de mama.

Alcoolismo. O alto consumo de bebidas alcoólicas aumenta o risco de câncer de mama em homens. Isso pode ser devido aos efeitos do álcool sobre o fígado.

Doença hepática. O fígado desempenha um importante papel no metabolismo dos hormônios sexuais. Os homens com doenças no fígado, como cirrose, têm níveis relativamente baixos de andrógenos e níveis mais altos de estrogênio. Eles têm ginecomastia e um risco aumentado de câncer de mama.

Tratamento com estrogênio. Medicamentos com estrogênio usados na terapia hormonal do câncer de próstata podem aumentar ligeiramente o risco de câncer de mama. Os homossexuais que tomam altas doses de estrogênios como parte do processo de mudança de sexo podem ter um risco aumentado de câncer de mama. Entretanto, ainda não existem estudos sobre o risco de câncer de mama em homossexuais, por isso não está totalmente claro qual é seu risco para câncer de mama.

Obesidade. A obesidade é, provavelmente, um fator de risco para câncer de mama masculino, uma vez que as células de gordura do corpo convertem os hormônios masculinos (andrógenos) em hormônios femininos (estrogênios). Isso significa que os homens obesos têm níveis mais altos de estrogênio em seu corpo (Oncoguia, 2021)

 Referências bibliográficas: