Pesquisador do Inpe apresenta na Unifei seminário sobre o Projeto Bingo

Concepção artística do radiotelescópio: em destaque, estão as antenas e a torre com o conjunto de cornetas detectoras; à direita está o prédio onde ficará a equipe de trabalho e os equipamentos de processamento.

Segundo o professor Alan, a participação da Unifei nesse projeto ampliará a sua visibilidade nos cenários internacionais de Astrofísica e Cosmologia.

Detalhe do protótipo da corneta do radiotelescópio.

 

 No dia 26 de agosto, aconteceu no campus sede da Universidade Federal de Itajubá (Unifei) o seminário sobre o Projeto Bingo – Baryon Acoustic Oscillations in Neutral Gas Observations, que, em português, significa Observações de Oscilações Acústicas de Bárions em Gás Neutro. O evento foi ministrado pelo pesquisador Carlos Alexandre Wuensche de Souza, que faz parte da Divisão de Astrofísica (DAS) do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

 O evento foi organizado pela Diretoria de Pesquisa (DIP), que está sob a coordenação do professor Hektor Sthenos Alves Monteiro, do Instituto de Física e Química (IFQ). O seminário aconteceu no Auditório 01 do IFQ e foi aberto à comunidade acadêmica, com o objetivo de divulgar e captar colaboradores para o projeto.

 Segundo o professor Alan Bendasoli Pavan, do IFQ, basicamente, o projeto Bingo diz respeito à construção de um radiotelescópio que fará medidas em rádio, as quais são importantes para a Cosmologia e a Astrofísica. “Em um primeiro momento, será construído e desenvolvido o equipamento e, depois, será colocada em prática a fase de execução das medidas científicas e análise dos dados obtidos. A previsão é de que o radiotelescópio esteja em funcionamento em, no máximo, 24 meses”, explicou Alan.

 O professor disse que o Projeto Bingo tem como objetivo principal investigar as Oscilações Acústicas de Bárions (BAO) por meio do elemento mais abundante do Universo, o hidrogênio atômico, no comprimento de onda de 21 cm (1,4 GHZ). “A detecção não é realizada nesse comprimento de onda devido ao ‘avermelhamento’ causado pela expansão do Universo. Há uma alteração na banda de detecção, que está entre 960 e 1260 MHZ, para fontes que estão a um redshift entre 0,13 e 0,48”, detalhou o docente.

 De acordo com o professor, o Bingo é um consórcio internacional que conta com as colaborações do Inpe, da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) e, além do Brasil, países como África do Sul, China, Espanha e Inglaterra aderiram ao projeto. “Está sendo finalizado um convênio entre a USP, a Universidade Federal do Cariri (UFCA) e a Unifei, para que esta também seja incluída no projeto. Para a Unifei, participar em um projeto como esse ampliará a sua visibilidade nos cenários internacionais tanto da Astrofísica quanto da Cosmologia, além de propiciar aos seus pesquisadores a participação em medidas nunca feitas nessas áreas”, disse Alan.

 O professor informou que o Radiotelescópio Bingo está sendo construído em São José dos Campos – SP e sua estrutura será transportada para a Serra do Urubu, em Aguiar, no Estado de Pernambuco, numa área que foi escolhida devido ao excelente silêncio eletromagnético do local.

 Mais informações a respeito do projeto podem ser obtidas no link: https://portal.if.usp.br/bingotelescope/en/node/364.