Professor da Unifei concede entrevistas a diversos veículos de comunicação sobre a tragédia de Brumadinho e segurança de barragens

 O professor Carlos Barreira Martinez, do Instituto de Engenharia Mecânica (IEM) da Universidade Federal de Itajubá (Unifei), foi recentemente entrevistado durante reportagem do Jornal da EPTV 2ª Edição, veiculado pela EPTV Sul de Minas, para falar sobre o rompimento da barragem de contenção de rejeitos de mineração em Brumadinho – MG, ocorrido em 25 de janeiro passado.

 Na Unifei, o docente é o chefe do Laboratório Termo-Hydroelectro (LTHE) e leciona Engenharia Hidráulica. Além disso, ele atua na Pós-Graduação de Engenharia Mecânica da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

 Além da entrevista concedida à EPTV Sul de Minas, o professor Martinez tem sido procurado nos últimos dias, para falar sobre o rompimento, por vários veículos de comunicação do país e do exterior, como jornais e revistas, nas versões impressa e digital, além de emissoras de rádio e televisão. As considerações do docente sobre o assunto podem ser acompanhadas nas páginas do Estado de Minas, Exame, Folha de São Paulo, Portal G1 e TV Record, entre outros do Brasil, além de veículos de outros países como The Economist, Rádio BBC World Service e Huffington Post.

 Na reportagem exibida pela EPTV, o docente da Unifei afirma que “um monitoramento mais eficaz na barragem de Brumadinho teria diminuído a extensão da tragédia, salvado vidas e preservado o meio ambiente”. Ele também disse que, no caso de Brumadinho, sobrou confiança de que as estruturas da barragem não iriam ruir.

 O professor comparou o sistema de uma barragem ao corpo humano, que precisa de cuidados frequentes, e disse que um equipamento desenvolvido em Itajubá para monitoramento de barragens e hidrelétricas é uma ferramenta importante. “Seria um daqueles sensores que medem, por exemplo, a pressão arterial do ser humano”, afirmou o docente na reportagem. Segundo ele, a tecnologia pode indicar “se esse corpo está se deformando e aí, nesse caso, como é que isso vai ter influência na vida da estrutura”.

 O aparelho citado foi desenvolvido por uma empresa instalada na Incubadora de Empresas de Base Tecnológica de Itajubá (Incit), localizada no Complexo Histórico e Cultural da Unifei, na região central da cidade, e também foi mostrado na reportagem da EPTV. Um resumo do material veiculado está no Portal G1, disponível em: https://g1.globo.com/mg/sul-de-minas/noticia/2019/02/06/projeto-desenvolve-sistema-optico-de-monitoramento-de-barragens-na-unifei-em-itajuba-mg.ghtml.

Entrevista à Secom

 O professor Martinez também concedeu uma entrevista à Secretaria de Comunicação (Secom) da Unifei sobre o rompimento da barragem de Brumadinho e sobre sua participação em diversos veículos de comunicação para falar do assunto. Confira, a seguir:

1 – O senhor tem sido procurado por muitos veículos de comunicação do país para falar sobre o rompimento da barragem em Brumadinho. Além da EPTV Sul de Minas, a quais outros veículos o senhor já concedeu entrevistas sobre o assunto?

 Seguem os nomes dos veículos de comunicação: Band- News, The Economist, O Tempo, Folha de São Paulo, Portal G1, TV Record, Rede Minas, Rádio Jovem Pan, Federação Nacional dos Engenheiros, TV Aparecida, Agência Pública de Jornalismo, Exame, Rádio BBC World Service, Época Negócios, Huffington Post, Jornal Estado de Minas, Rádio Itatiaia. As entrevistas são feitas por telefone, e-mail, Skipe e pelo WhatsApp, que tem sido o mais eficiente meio de contato.

2 – De maneira geral, quais são as principais dúvidas apresentadas pelos veículos ao senhor?

 São dúvidas técnicas. A maior parte delas são relativas a assuntos que leciono na graduação. As informações em rádio e TV são de cunho instrutivo e não formativo. Por isso são simples e tem que ser diretas e com linguagem simples e didática de forma que todos possam entender o que se está dizendo. Isso faz com que as explicações soem simples demais para alguns – normalmente para engenheiro e especialista –, mas é assim mesmo.

3 – Qual tem sido sua resposta quanta à causa principal do rompimento da barragem de Brumadinho?

 Não existe um motivo único, mas, sim, uma conjunção de situações. Além disso, tenho citado que existe nesse setor uma “arrogância técnica” que funciona como uma venda nos olhos dos profissionais – empresto a célebre frase atribuída, no Filme “Titanic”, a Thomas Andrews, construtor do navio: “Nem Deus afunda o Titanic” (apesar de os historiadores dizerem que essa frase nunca foi dita). O resultado é o que conhecemos.

4 – Em sua opinião, a tragédia de Brumadinho poderia ser evitada?

 As centenas de mortes sim. Se a Vale tivesse uma posição “menos arrogante tecnologicamente” entendo que as mortes (todas ou quase todas) não teriam ocorrido. Quanto à ruptura da barragem, tenho dúvidas se sim ou não. O fato é que a Vale falhou, e muito, nesse episódio. Lamento, profundamente, pelas vidas e trajetórias desperdiçadas. Na verdade, sinto uma angústia profunda, pois tenho comigo que nada vai mudar.

 Entendo que a Vale, a exemplo do que fez em Mariana, vai prometer e se comprometer, e depois, vai tergiversar e não vai cumprir com o pactuado. A grande mídia tem mostrado que a Vale não tomou providências, mesmo sabendo dos riscos de ruptura da barragem. Isso é decepcionante e compromete a imagem da empresa e do seu corpo técnico.

 Tenho como opinião exclusivamente pessoal (não institucional) que sem uma punição exemplar aos executivos, a exemplo do que ocorre no mundo desenvolvido, e sem uma punição em dinheiro (multas efetivamente pagas, etc.) nada vai mudar.

 Temo que a Vale adote a estratégia de se proteger com uma equipe de centenas de advogados que vão recorrer indefinidamente até os processos prescreverem. Isso tudo em detrimento de se precaver tecnicamente investindo em pesquisas e conhecimento de forma a evitar novas tragédias. Se o caminho a ser adotado for o mesmo que o adotado no caso da barragem de Mariana (Bento Rodrigues), a empresa vai investir em dezenas de horas de propaganda e tudo vai ficar, como sempre, na lembrança.

 Por outro lado, a Justiça é lenta e não age no “tempo humano”, deixando as pessoas sem apoio e à espera de uma decisão que nunca vem. Por aí vocês podem perceber que entendo (SMJ) que a Justiça Brasileira é parceira (por omissão e por inação) no desastre da Vale.

5 – Na época da tragédia de Bento Rodrigues, em Mariana – MG, o senhor também foi procurado pelos veículos de comunicação para emitir sua opinião?

 Sim. A assessoria de imprensa da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) sempre me indicou para assuntos nessa área. Ela, inclusive, foi responsável pela maior parte das indicações para entrevistas sobre Brumadinho. Ainda atuo na Pós-Graduação da Engenharia Mecânica da UFMG, tendo três orientados de doutorado, e por isso estamos sempre publicando artigos.

6 – O senhor acha que desde o rompimento em Bento Rodrigues até hoje, as autoridades responsáveis pelo monitoramento de barragens no Brasil tomaram providências para evitar outros acidentes?

 Somente fizeram declarações e movimentos erráticos. O sistema é controlado pelas mineradoras. Nada funciona direito. A Justiça é lenta ineficaz e ineficiente. Novos desastres vão acontecer. O pior disso é que todos sabemos disso e nada muda.

7 – Como o senhor está vendo a atuação dessas autoridades neste ano com relação à tragédia de Brumadinho e, principalmente, para que sejam evitados outros acidentes como os já acontecidos?

 Entendo que teremos outros acidentes e mais mortes. Veja o que aconteceu no Rio de Janeiro [na semana de 03 a 09 de fevereiro]. Tudo isso faz parte do resultado de 50 anos de descaso e de incompetência do Estado Brasileiro. Tenho opiniões muito duras acerca disso.

O professor Carlos Barreira Martinez, do IEM da Unifei, durante reportagem apresentada no Jornal da EPTV 2ª Edição.

A entrevista à EPTV Sul de Minas foi concedida no Laboratório Termo-Hydroelectro (LTHE) localizado no Complexo Histórico e Cultural da Unifei, na região central de Itajubá.