Projeto de extensão da UNIFEI melhora a qualidade de vida de moradores da zona rural de Itajubá

Localização do bairro Pessegueiro.

Esgoto a céu aberto no bairro Pessegueiro.

Clorador de pastilhas instalado em algumas casas do bairro Pessegueiro.

Exposição de informações para os moradores do bairro Pessegueiro por integrantes do projeto.

 

 Além do seu importante papel nas áreas de ensino e pesquisa, a universidade precisa assumir seu papel como transformadora da sociedade a sua volta. E uma reconhecida forma de as universidades causarem impacto social é por meio dos projetos de extensão. Na Universidade Federal de Itajubá (UNIFEI), esses projetos são registrados e apoiados pela Pró-Reitoria de Extensão (PROEX).

 Um projeto de parceria entre Instituto de Recursos Naturais (IRN) da UNIFEI; a Arquidiocese de Pouso Alegre, por meio da Paróquia São José Operário (PSJO), de Itajubá, e a Associação dos Moradores do Bairro Pessegueiro (AMBP) está levando qualidade de vida a uma população de mais de 300 moradores do bairro rural  localizado entre Itajubá e Piranguinho.

 Intitulado “Águas do Pessegueiro”, o projeto está relacionado com a Campanha da Fraternidade (CF), promovida pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), cujo tema foi “Fraternidade: Biomas Brasileiros e Defesa da Vida” e o lema, “Cultivar e Guardar a Criação (Gn 2,15)”. A Arquidiocese de Pouso Alegre contribuiu financeiramente com o projeto, através do Fundo de Solidariedade, composto por doações financeiras de fiéis católicos durante o período da Quaresma, como um gesto concreto da CF.

 Segundo a professora Ana Lúcia Fonseca, do IRN, coordenadora do projeto, a maioria das residências do bairro são atendidas pela Companhia de Saneamento de Minas Gerais (COPASA), no entanto algumas casas e setores do bairro utilizam água de outras fontes, como poços, cisternas e nascentes. E mesmo onde a água tratada está disponível, cisternas e poços ainda são utilizados. Essa situação exige um cuidado especial com a qualidade bacteriológica dessas fontes de água utilizadas para abastecimento do público local.

 Na análise das amostras, a equipe do projeto encontrou níveis inaceitáveis de coliformes totais e fecais em alguns pontos, causados principalmente pela existência de esgoto doméstico a céu aberto. Como ação imediata, foram adotadas três medidas emergenciais: conscientização dos moradores, doação de filtros de barro e instalação de cloradores de pastilhas. A cloração é um processo comum de desinfecção de água potável. Testes mostraram que a contaminação por coliformes totais no bairro caiu a zero após a instalação dos cloradores.

 De acordo com Ana Lúcia, outras ações estão em fase de desenvolvimento, como a instalação de um tanque de evapotranspiração, o círculo de bananeiras e a rede de esgoto e sua extensão até o Rio Sapucaí.

 Atualmente, o projeto está sendo desenvolvido com apoio financeiro da UNIFEI através do edital  para financiamento de projetos de extensão social e cultural da PROEX. Na atual fase, a equipe deve realizar a elaboração de um projeto de Estação de Tratamento de Esgotos Domésticos na região central e implantação de sistemas descentralizadores em duas residências no bairro Pessegueiro.

Participantes

 Além da coordenadora, professora Ana Lúcia, participaram do projeto, pelo IRN, as professoras Herlane Costa Calheiros, Márcia Viana Lisboa Martins e Nívea Adriana Dias Pons e os servidores técnico-administrativos Alexandre Germano Marciano, André Luiz Vieira Barouch e Paulo Sérgio Marques,  além de Giovanna Santana e alunos do PET Engenharia Ambiental.

 Os mestrandos envolvidos no projeto foram os seguintes: do Programa de Mestrado em Meio Ambiente e Recursos Hídricos (MEMARH), Ana Flávia Martins Monteiro, Ana Letícia Campos Yamamoto, Camila Mendes dos Santos, Igor Crabi de Freitas, Rafael Arcanjo de Oliveira Filho, Ana Luiza de Souza Marcondes, Gabriel de Oliveira Machado, Hellen Luisa de Castro e Silva, Pedro Marcelo de Moraes Mendonça e Poliana Marcela da Silva, e do Programa de Mestrado em Desenvolvimento, Tecnologias e Sociedade (DTecS), Padre Thiago de Oliveira Raymundo, então vigário paroquial da PSJO, em Itajubá, e que atuou também como representante da Arquidiocese de Pouso Alegre.