Quanto vale um Diploma?

 O Portal do Ministério da Educação estabelece que “a colação de grau é ato oficial e jurídico e uma prerrogativa da instituição” e que “o aluno não pode receber o diploma sem colar grau”. Ressalta-se que no caso da Unifei, diferentemente do que ocorre na maioria das instituições, entregamos o diploma oficial já no momento da cerimônia da colação e não posteriormente como ocorria até há poucos anos.

 A colação de grau celebra os esforços individuais e coletivos dos estudantes, seus familiares, docentes e demais servidores ao deixar claro, publicamente, que os alunos, agora graduados, encontram-se aptos para a vida profissional. Esse rito de passagem, testemunhado por todas essas pessoas, informa à nação que nossos formandos podem agora alçar voo para novos horizontes e construir suas vidas futuras, contribuindo, através do conhecimento, para um país mais próspero. A colação de grau é, portanto, uma cerimônia solene, de natureza acadêmica, testemunhada por familiares, amigos e autoridades, que tem seu rito aprovado nas altas instâncias da instituição e é respaldada legalmente, possuindo caráter jurídico. Isso não é pouca coisa, é algo muito sério e quem não se apercebe desse fato erra ao não avaliar a importância de algo que, seguramente, muda vidas para melhor. A colação finaliza uma etapa e inaugura outra, a do trabalho que, executado com competência e zelo, contribuirá para maior prosperidade e justiça social em nosso país.

 Demonstrada a importância da colação de grau, gostaria de tecer algumas considerações. Fui aluno, sou pai de ex-aluno e respondo pela direção da Unifei, o que me capacita para questionar a chamada colação festiva. No entanto, mesmo que assim não o fosse, posso afirmar como cidadão que tal iniciativa fere os conceitos mais básicos da ética a que todos devemos exercitar cotidianamente. Destaco, de antemão, entender que o arrazoado aqui exposto não faz parte, ainda, das reflexões de nossos alunos, daí porque é imperioso que avaliem o que significa a colação festiva e quais suas implicações. Quero crer que, a partir desse texto, a compreensão decorrente permitirá aos nossos alunos se acautelarem quanto a tomar parte nesse arranjo.

 Já ao adentrar a Universidade, o aluno, no anseio de se formar com a turma de ingresso, compromete-se, legal e financeiramente, ao longo dos anos vindouros, com um conjunto de atividades festivas relativas à futura formatura, como o churrasco, coquetel e baile. Todavia, a questão muda dramaticamente quando o evento colação faz parte desse pacote de festividades. O que era para ser um conjunto de eventos positivos contamina-se na medida em que esse tipo de colação representa, tão somente, uma farsa pública no contexto da participação de um graduando que ainda não se formou receber publicamente um diploma. Diploma esse a que não faz jus e que, absurdamente, nem mesmo representa um documento oficial, mas que é passado publicamente para familiares e amigos como se assim o fosse. A inserção da colação nesse pacote de festividades ludibria a muitos na medida em que promove a percepção de que, desde que se pague, pode-se colar grau, mesmo que seja de mentira.

 Compra-se quase tudo, mas há coisas que o dinheiro não adquire. Não há como medir monetariamente o esforço despendido nas longas horas de estudo, nas necessidades de bens de que muitas famílias se privaram para que seus filhos cursassem uma universidade, na saudade dos entes queridos, muitas vezes distantes, e na incerteza que o futuro reserva. Em maior ou menor grau, somos todos produtos de nossas alegrias e tristezas, dos desafios e oportunidades, de nossas escolhas e de suas consequências. Nada disso se compra, pois que todos esses esforços e valores intangíveis estão, no momento nobre da colação, sintetizados no diploma arduamente conquistado. Participar dessa encenação e receber um diploma falso representa um demérito para com aqueles que, de fato, fizeram jus ao verdadeiro diploma, além de representar um deplorável término da etapa acadêmica e péssimo início da vida profissional.

 A Unifei não pode mais tolerar a colação festiva. Além dos danos acima elencados, ainda coloca em risco sua imagem institucional (IN MP/CGU no 01/16, art. 18, b), arduamente conquistada ao longo de mais de cem anos. Como se não bastasse, ainda usurpa a Universidade de algo que é de sua atribuição legal (LDB, art. 53, inciso VI), ou seja, a de conferir graus, diplomas e outros títulos. A colação festiva, por divulgar informações falsas, constrange a todos, em especial a Universidade, razão pela qual solicitamos aos nossos alunos que celebrem essa maravilhosa conquista, de forma digna e alegre, com amigos e familiares, nas festividades do churrasco, coquetel ou baile, mas evitem participar dessa hipocrisia coletiva chamada colação festiva.

Professor Dagoberto Alves de Almeida

Reitor da Universidade Federal de Itajubá