Tese de professor da UNIFEI é premiada em Portugal com estudo sobre eventos culturais

Paulo Cezar Nunes Junior defendeu, em 2019, sua tese de doutorado em Sociologia – Cidades e Culturas Urbanas na Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra, em Portugal.

Em dezembro de 2020, o professor Paulo Nunes teve seu trabalho premiado como melhor tese de doutorado da FEUC.

A pesquisa do professor Paulo Nunes buscou investigar a maneira pela qual os eventos culturais têm modulado a construção material e imaterial do espaço urbano na cidade contemporânea.

Desenvolvida entre os anos 2015 e 2018 e defendida em 2019, a tese é organizada em seis capítulos e tem 400 páginas.

A tese do professor Paulo Cezar Nunes Junior foi defendida na tradicional Sala dos Capelos, no dia 19 de julho de 2019.

Na ocasião da defesa de sua tese, o professor já havia sido contemplado com distinção de louvor e mérito pelo trabalho apresentado.

 Com decisão unânime entre o júri, pela primeira vez, um pesquisador brasileiro foi contemplado com o prêmio da Fundação Engenheiro António de Almeida pela melhor tese de doutorado da FEUC, em Portugal. Além de uma quantia em euros, a premiação prevê a impressão de 1.000 exemplares da tese.

 A tese do professor Paulo Cezar Nunes Junior, do Instituto de Física e Química (IFQ) da UNIFEI, foi defendida em 2019, sobre a orientação do Prof. Doutor Claudino Cristovão Ferreira da Universidade de Coimbra, e concorreu ao prêmio em 2020. O estudo mostra de que forma os festivais urbanos são marcados por um poder modular. Na pesquisa desenvolvida, o confronto entre o estudo da Virada Cultural, na cidade de São Paulo, e o do Festival Mexefest, em Lisboa, Portugal, contribuiu para um melhor entendimento do que está em jogo nos eventos culturais.

 Segundo o docente, tal conceito ajudou a perceber que os festivais urbanos, medeiam subjetiva e objetivamente os modos de vida das pessoas que deles participam e a eles atribuem valores de significação por meio de processos de individuação constantes. “Para além disso, é importante lembrarmos que a cultura se tornou objeto central de inúmeros processos de modulação da cidade, na medida em que condiciona a produção de seus espaços à lógica de consumo e estruturação demandada pela indústria criativa por festivais, de diferentes disciplinas artísticas”, explicou o professor Paulo Nunes.

 Embora o estudo se concentre na realização de festivais urbanos e nas vivências ocorridas em torno destes últimos, as considerações do professor são feitas também no sentido de salientar que há dimensões aí detectadas e analisadas que se prolongam para outros domínios da vida social e do cotidiano dos indivíduos. Um dos argumentos centrais da pesquisa realizada é o de que a experiência em torno desses eventos pode ser projetada para a relação do sujeito com outras esferas de sua vida.

 De acordo com Paulo Nunes, na análise dos dados recolhidos, foi possível observar um fenômeno de shuffleização acontecendo não apenas na curadoria dos festivais, mas também nos modos de vida urbanos como um todo. “Experiências sensoriais são criadas por meio destes eventos e, a partir delas, são construídos determinados tipos de padrões de consumos e comportamentos sociais baseados nos princípios de embaralhamento e efemeridade”, detalhou o docente.

 Questionado sobre a importância de eventos culturais para a sociedade e, principalmente, para o meio universitário, Paulo Nunes defendeu que eles são canais privilegiados para fruição estética. “Além disso, promovem sociabilidades, trocas e partilhas fundamentais para nossa vida cotidiana e nossos momentos de lazer. A ausência deles, neste tempo de pandemia, tem deixado isso bastante claro”, argumentou o professor.

 Quanto ao ambiente universitário, Paulo Nunes entende que os eventos culturais têm dupla importância. “Além de provocar momentos de encontro da comunidade acadêmica com a música, a dança, o teatro e outros segmentos artísticos, eles são capazes de envolver discentes, docentes e técnicos administrativos em atividades extracurriculares e interdisciplinares. Ações culturais, se conduzidas de maneira apropriada, têm na extensão um importante veículo de articulação da relação entre universidade e comunidade”, concluiu o professor.

 Recentemente, o artigo “Curating the urban music festival: Festivalisation, the ‘shuffle’ logic, and digitally-shaped music consumption”, produzido a partir da tese de doutorado do professor Paulo Cezar Nunes Junior, da Universidade Federal de Itajubá (UNIFEI), em co-autoria com Carolyn Birdsall da University of Amsterdam, foi publicado pelo European Journal of Cultural Studies, o mais importante jornal europeu na área da cultura.

 O texto completo da tese defendida pelo professor Paulo Nunes pode ser acessado no link .

 Mais informações sobre a premiação podem ser obtidas em: https://www.uc.pt/feuc/eea/Premio_Fund_Eng_Ant_Alm_2020

 O artigo pode ser consultado em: https://journals.sagepub.com/eprint/MU2396ZXWEHWTG6WQF7X/full.

 

Contribuições do artigo publicado

 O artigo revela que, nos últimos anos, os festivais de música cresceram em importância dentro da política cultural local, das marcas da cidade e das agendas de turismo. Nele, o autor questiona como, na era do streaming digital, os festivais de música em ambientes urbanos são enquadrados e vivenciados.

 Com base no trabalho de campo etnográfico, Paulo Nunes examina como os programadores de festivais de música fazem a curadoria da experiência do festival urbano, tanto para moradores quanto para turistas. No estudo são identificados o surgimento de festivais de música urbana nas últimas décadas e como os programas de festivais modernos adotaram a técnica cultural do ‘modo aleatório’ como um princípio influente.

 Também é investigado o trabalho dos programadores de festivais através das lentes de ‘intermediários culturais’, questionando-os como suas estratégias de programação, particularmente por meio de mídia móvel digital, como playlists de música, contribuem para uma experiência estetizada da cidade durante o festival.

 O artigo ainda analisa como os eventos do festival Mexefest, em Lisboa, são realizados em conjunto com a ativação da marca por patrocinadores, como uma empresa de telefonia móvel e sua estação de rádio, destacando a participação dos frequentadores de festivais e avaliando o valor heurístico da ‘curadoria aleatória’ como uma ferramenta para a compreensão de festivais de música como um ambiente distintamente global e de consumo de lazer na cultura urbana.