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[:pb]Professora da Unifei participa de tradução de livro clássico sobre água subterrânea[:]

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Capa do livro traduzido para a língua portuguesa com o título de Água Subterrânea e a capa do livro original Groundwater, de R. Allan Freeze e John A. Cherry.

A professora Estefânia Fernandes dos Santos, do IRN da Unifei, participou do projeto de tradução do livro Groundwater.

 

 A professora Estefânia Fernandes dos Santos, do Instituto de Recursos Naturais (IRN) da Universidade Federal de Itajubá (Unifei), participou de um projeto de tradução do livro Groundwater, de R. Allan Freeze e John A. Cherry, o maior clássico de hidrogeologia mundial. A tradução foi realizada em crowd sourcing, um modelo de criação e/ou produção, que conta com a mão-de-obra e conhecimento coletivos, para desenvolver soluções e criar produtos.

 Segundo Estefânia, que é professora assistente e coordenadora do Laboratório de Hidrogeologia (LHGEO) e do Estágio Supervisionado de Engenharia Hídrica, no IRN, o trabalho de tradução em mutirão contou com a participação de mais de 200 voluntários e o livro Água Subterrânea foi finalizado em pouco mais de dois meses. Publicado originalmente em 1979, o livro vendeu mais de 500 mil cópias em todo o mundo e é utilizado até hoje.

 No site http://unan.unesp.br, Bruna Soldera, doutora em Geociências e Meio Ambiente e também participante do projeto de tradução, informou que o autor John A. Cherry havia entrado em contato com o professor Everton de Oliveira, orientador de doutorado e professor do Instituto de Geociências e Ciências Exatas (IGCE) da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Rio Claro – SP, para coordenar o projeto de tradução do livro para o português e para outras línguas, pois pretende-se traduzi-lo para francês, espanhol e mandarim, entre outros idiomas, e fazer uma divulgação nacional e internacional.

 A tradução para a língua portuguesa foi a primeira a ser finalizada. Sua publicação é a origem de um grande projeto mundial de ensino de hidrogeologia de forma gratuita pela internet. O livro está dividido em 11 capítulos que tratam de assuntos específicos dessa área, como propriedades e princípios físicos e químicos da água subterrânea; água subterrânea e o ciclo hidrológico; evolução química das águas subterrâneas naturais; avaliação de recursos hídricos subterrâneos e contaminação de águas subterrâneas.

 Segundo a professora Estefânia, mais de 80 novos capítulos seriam produzidos por um grupo composto por profissionais de destaque da área em nível mundial, liderados por John Cherry, além de vídeo-aulas e outros produtos. Todo o projeto conta com o patrocínio de empresas e tem apoio de várias instituições, como as associações brasileiras de Engenharia Sanitária e Ambiental (Abes); de Recursos Hídricos (ABRH), de Geologia de Engenharia e Ambiental (ABGE) e de Águas Subterrâneas (Abas) – Capítulo Brasileiro da International Association of Hydrogeologists (Associação Internacional de Hidrogeólogos) – IAH-BR, entre outras.

 A versão em português está acessível para download gratuito no site http://www.aguassutentavel.org.br, do Instituto Água Sustentável, que foi criado em março de 2016 e promove o uso sustentável da água através do desenvolvimento de estudos, projetos e pesquisas e da realização de eventos científicos e educativos.

 Mais detalhes sobre o livro podem ser obtidos com Bruna Soldera, pelo e-mail bruna@aguasustentavel.org.br ou pelos telefones (11) 4612-1124 e (11) 99661-5747.

 A tradução realizada

 Em contato com a Secretaria de Comunicação (Secom) da Unifei, a professora Estefânia revelou de que forma foi inserida nesse projeto de tradução do livro. “Eu fui contatada através de meu e-mail profissional por colegas de profissão da área de hidrogeologia para poder participar do grupo de tradutores no Brasil do livro Groundwater. O coordenador do projeto e dono da empresa Hidroplan, professor Everton de Oliveira, enviou o convite aos colegas de área e muitos responderam prontamente, incluindo a mim”, explicou Estefânia.

 Segundo ela, o trabalho de tradução consistiu em grupos por capítulos, nos quais cada capítulo teve de 4 a 10 tradutores e um coordenador geral. “Durante duas semanas, trabalhamos em conjunto na tradução do texto, de figuras e na formatação, em arquivos on line para atualização constante. Também éramos encarregados de corrigir a parte do colega de forma a manter a tradução mais coesa e correlata. Eu escolhi participar do Capítulo 7 – Evolução química da água subterrânea natural (Chapter 7: Chemical Evolution of Natural Groundwater)”, detalhou a professora.

 Estefânia explicou que muitas equações e fórmulas de hidrogeologia, que foram definidas por R. Allan Freeze e John A. Cherry, os autores da versão original, são utilizadas em aula, e que, agora, com acesso à versão portuguesa, os alunos terão mais facilidade e agilidade em realizar suas consultas acadêmicas. Ela acredita que, por tratar-se de um dos melhores textos de hidrogeologia de todos os tempos, e ainda pelo fato de seu acesso ser gratuito, deve haver uma grande utilização dessa bibliografia no meio acadêmico e na área profissional pelo Brasil todo.

 A professora também disse que durante o Congresso Internacional de Meio Ambiente Subterrâneo (Cimas) 2017, realizado na capital paulista, foi feita a divulgação da tradução em português do livro Groundwater. “Assim, esperamos uma maior interação dos profissionais e da comunidade com o assunto das águas subterrâneas, devido à crise hídrica que estamos enfrentando na atualidade”, disse ela.

 Estefânia concluiu, destacando como foi importante participar desse projeto: “A importância é maior ainda por ser a primeira tradução do livro nesse formato, e nosso método de trabalho deverá ser copiado e oferecido para outros países interessados em reproduzir esse exitoso experimento. Pessoalmente, foi de enorme experiência para minha vida acadêmica e profissional poder fazer parte desse trabalho que resultou em uma ferramenta potente na área de hidrogeologia no âmbito brasileiro”.

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