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A segunda edição da Jornada Universitária em Defesa da Reforma Agrária (Jura) foi realizada no campus sede da Universidade Federal de Itajubá (Unifei), pelo Núcleo Travessia de Pesquisa, Extensão e Apoio à Agricultura Familiar e Desenvolvimento Rural.
Com o tema Trabalho, Educação e as Contrarreformas no Brasil, a jornada esteve sob coordenação do professor Luiz Felipe Silva, do Instituto de Recursos Naturais (IRN). Segundo ele, eventos como a Jura “têm sido historicamente conduzidos em várias instituições universitárias públicas, valorizando, assim, a relevância da reforma agrária no contexto social do país”.
Durante o evento, aconteceu a Sessão Cine & Prosa com o tema Agricultura Familiar, Desenvolvimento Rural e Agroecologia, sendo apresentado o documentário Agricultura Tamanho Família, de Sílvio Tendler, sobre a agricultura familiar, no auditório do Centro de Estudos de Qualidade Ambiental (Cequam).
No mesmo auditório, aconteceu a mesa temática Trabalho Escravo e as Contrarreformas, com as participações do professor Luiz Felipe Silva; Jorge Santos, da Articulação dos Empregados Rurais do Estado de Minas Gerais (Adere-MG); Sebastião Marques, do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), e Ana Paula Fernandes, do programa de mestrado em Desenvolvimento, Tecnologias e Sociedade (DTecS) da Unifei.
Ainda foram realizadas, no Centro de Vivência da Unifei, atividades culturais com o grupo Sapucaiaços e o Núcleo Travessia, e houve, também no auditório do Cequam, outra mesa temática sobre Agroecologia e Reforma Agrária, com as participações de Ricarda Maria Gonçalves da Costa, do MST, e Letícia Osório Bustamante, da Rede Agroecológica da Mantiqueira (Rama).
Durante todo o evento, aconteceu, no Centro de Vivência, uma exposição de produtos agroecológicos produzidos pelo MST, e foram arrecadados alimentos para famílias acampadas que estão em situação de insegurança alimentar na região do Sul de Minas.
Participações
Na edição da Jura deste ano houve a presença de representantes da agricultura familiar da região que falaram sobre a sua vivência no mundo rural. Durante conversa após a exibição do documentário citado, Ednilson Francisco Carvalho, agricultor do bairro rural da Peroba, no município de Itajubá, relatou suas dificuldades e alegrias no campo, bem como as conquistas que têm obtido, em especial com a aproximação da agroecologia.
O agricultor faz parte da Associação dos Produtores Rurais de Itajubá e Região (Aprir) e da Feira Agroecológica e Cultural de Itajubá (Faci) e, segundo o professor Luiz Felipe, “ele orgulha-se de trabalhar a terra sem o uso de produtos agroquímicos, contribuindo, assim, para uma alimentação saudável, responsável e sustentável”.
Letícia Bustamante, de Pedralva – MG, falou sobre “a ciência da agroecologia e a arte de lidar e cuidar da terra sem feri-la, tendo como resposta a gratidão de uma cultura graciosa e exuberante”, segundo informou o coordenador do evento.
Sebastião Marques e Ricarda Costa, agricultores do assentamento Primeiro do Sul, em Campo do Meio, no Sul de Minas, do MST, compartilharam suas experiências de vida e de luta pela conquista e democratização da terra. “Foram falas didáticas e fortes, como o trabalho rural, derramando saberes, uma fonte popular irrompendo em um auditório do nosso campus universitário”, disse Luiz Felipe.
A Jura também abordou um tema muito presente, em especial no campo: o trabalho escravo. A aluna Ana Paula Fernandes, do DTecS da Unifei, abordou questões legais e políticas sobre o assunto, e Jorge Santos, da Adere, discorreu sobre a luta cotidiana de libertar, literalmente, trabalhadores rurais vivendo em condições análogas à escravidão em pleno século XXI em culturas de café no Sul de Minas.
“A segunda edição da Jura na Unifei reforçou a relevância da reforma agrária como um dos vetores cruciais para o desenvolvimento social, sustentável e econômico”, destacou Luiz Felipe. Segundo ele, “estratégias de desenvolvimento devem ser pensadas na Universidade, compreendendo naturalmente a Unifei como instrumento de combate à pobreza e às iniquidades sociais, ainda tão enraizadas”.
Sobre a Jura
A Jornada Universitária em Defesa da Reforma Agrária (Jura) é uma ação que acontece há quatro anos nas universidades públicas de todo o Brasil com o objetivo de inserir o tema no espaço universitário e ampliar as possibilidades de discussão.
O evento geralmente ocorre no mês de abril juntamente com as atividades do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) nesse período, denominado de Abril Vermelho, como uma forma de homenagear os 21 trabalhadores sem-terra mortos no massacre de Eldorado dos Carajás, no dia de abril de 1996, no Pará.[:]