Os estudos do potencial hidrocinético dos rios Jamari e Curuá-Una, realizados pela equipe do Centro Nacional de Referência em Pequenas Centrais Hidrelétricas – CERPCH da Universidade Federal de Itajubá (Unifei), com financiamento da Embaixada Britânica, para atender a um projeto da Eletrobrás Eletronorte, identificaram um possível aproveitamento a jusante da Usina Hidrelétrica Curuá-Una, no Pará, ou seja, à frente dela, seguindo o curso do rio. O trecho estudado a jusante da Hidrelétrica Samuel, em Rondônia, não apresentou as velocidades adequadas à exploração hidrocinética.
Os resultados foram apresentados no workshop Hidrocinética na Região Norte, que aconteceu na sede da Eletronorte, em Brasília, e reuniu técnicos estrangeiros e brasileiros, professores, estudantes e representantes de empresas britânicas e do governo brasileiro.
A energia hidrocinética pode revolucionar o setor elétrico, ao propor uma alternativa de geração de energia elétrica limpa, em que não há a necessidade de se fazer barragens, aproveitando a própria correnteza do rio, que é responsável por movimentar a turbina e consequentemente gerar energia.
Dos trechos estudados em ambos os rios, o que mais se destacou, apresentando valores de velocidade aproveitáveis para implantação de um parque gerador hidrocinético, foi uma seção do rio onde as margens se estreitam, cerca de cinco quilômetros a jusante de Curuá-Una. A prospecção nesse trecho indicou um potencial de 2,4 MW, o que resultaria numa energia gerada de 13,2 GWh/ano.
Numa próxima etapa, os estudos serão no sentido de dimensionar máquinas adequadas às velocidades identificadas naquele rio, com corrente médias de 2,5 m/s, bem como definir os sistemas de fixação das turbinas hidrocinéticas e de conexão ao sistema de transmissão. Outra preocupação dos técnicos é a proteção contra materiais em suspensão no rio, principalmente em períodos de cheia e ainda o aprofundamento da viabilidade técnica e econômica do parque hidrocinético.
”