Pesquisa do grupo (CS)² da UNIFEI utiliza uma estação de tratamento de efluentes simulada para estudar ataques e avaliar mecanismos de defesa.

Letícia Matos, aluna do curso de Engenharia de Controle e Automação do Instituto de Engenharia de Sistemas e Tecnologia da Informação (IESTI) da Universidade Federal de Itajubá (UNIFEI) e integrante do Grupo de Cibersegurança e Sistemas Críticos (CS)² da Universidade, recebeu menção honrosa por artigo apresentado no Workshop de Trabalhos de Iniciação Científica e de Graduação (WTICG 2026), realizado no âmbito do XXVI Simpósio Brasileiro de Cibersegurança (SBSeg 2026). O evento ocorreu entre os dias 1º e 4 de setembro de 2026, em Armação dos Búzios (RJ).
O reconhecimento foi concedido ao artigo “Cyber Range Open-Source para Estação de Tratamento de Efluentes: Demonstração de Ataques MitM/FDI via Modbus TCP e Defesa Ativa na Camada de Enlace”, de autoria de Letícia Matos, do doutorando João Paulo Fernandes de Cerqueira César, do Programa de Pós-Graduação em Engenharia Elétrica da UNIFEI (PPG-EEL), e do docente Otávio Gomes, do campus da Universidade em Pouso Alegre.
O trabalho aborda um desafio relevante para a proteção do saneamento: identificar situações em que um ataque altera comandos ou informações de uma instalação, comprometendo a percepção do operador sobre o funcionamento do processo. Para investigar esse problema, os pesquisadores desenvolveram um cyber range, ambiente controlado que reproduz o funcionamento de uma estação de tratamento de efluentes e permite realizar experimentos de segurança sem interferir em uma instalação real.
A plataforma utiliza ferramentas de código aberto, incluindo OpenPLC, FUXA SCADA, Docker é um gêmeo digital desenvolvido em Python (Fig. 1). Esses componentes representam o controlador industrial, a interface de supervisão e o comportamento do processo, permitindo acompanhar variáveis como o nível dos tanques e os estados de bombas e válvulas.
Em um dos cenários estudados, o ataque mantém a indicação de nível do tanque em 50% na tela do operador, enquanto o nível real simulado continua subindo até 100%, condição de transbordamento. O experimento demonstra como a manipulação das informações transmitidas ao supervisório pode ocultar uma situação crítica, mesmo quando o controlador continua recebendo os valores corretos do processo.
A pesquisa também avalia uma contramedida na camada de enlace da rede, baseada no anúncio periódico das associações legítimas entre endereços dos dispositivos. Nas condições testadas, essa abordagem neutralizou o ataque de falsificação de endereços utilizado para interceptar a comunicação. O resultado permanece vinculado ao cenário experimental e não representa proteção universal contra todas as formas de ataque.

Figura 1 — Ambiente de simulação da estação de tratamento de efluentes
A aplicação do trabalho está na formação de profissionais e na avaliação de estratégias de proteção para sistemas industriais de saneamento. O ambiente permite demonstrar ataques, observar consequências sobre o processo e testar mecanismos de defesa de maneira reproduzível. Por utilizar ferramentas abertas, também oferece uma alternativa acessível para atividades de ensino e pesquisa em segurança de infraestruturas críticas.
O trabalho pode ser lido na íntegra aqui: 1. DOI: https://doi.org/10.5753/sbseg_estendido.2026.29307
A menção honrosa destaca a contribuição de Letícia Matos para a pesquisa aplicada desenvolvida pelo (CS)² e evidencia a participação discente na construção de soluções voltadas à proteção de serviços essenciais. Nossos agradecimentos à Diretoria de Pesquisa e Inovação da UNIFEI pelo fomento ao projeto de inicia.