Ações de inclusão da UNIFEI buscam melhorar o acesso à educação para todos

 No ano de 2014, a Universidade Federal de Itajubá (UNIFEI) realizou a criação do Núcleo de Acessibilidade e Inclusão (NAI), que em 2019 passou a se chamar Núcleo de Educação Inclusiva (NEI). Desde então, ações são desenvolvidas a fim de garantir o acesso e permanência dos alunos com deficiência.

 Durante estes anos, diversas atividades de inclusão foram realizadas na Universidade, procurando atender os seus públicos interno e externo, como o Seminário de Inclusão, que no ano de 2020, terá a sua oitava edição. Para este ano, novas atividades já estão sendo planejadas de acordo com as demandas estabelecidas na UNIFEI.

 Segundo a coordenadora do NEI, professora Ana Carolina Sales Oliveira, do Instituto de Física e Química (IFQ), o Núcleo contou, no ano de 2019, com cinco bolsistas de Iniciação Científica, que desenvolveram pesquisas relacionadas à temática inclusiva, além de um estagiário responsável por fazer divulgação, artes e inscrições de eventos, abastecer as redes sociais do NEI etc.

 O Núcleo também teve a contribuição de uma monitora que, entre outras atividades, atendia professores e/ou famíliares do aluno com deficiência. Dúvidas sobre matérias e aplicação de provas em salas de aula convencionais ou em sala específica do Centro de Educação (CEDUC) da UNIFEI também foram conduzidos por monitoria, atendendo sete alunos com deficiência.

 Atualmente, na UNIFEI há 25 alunos com deficiência matriculados em diversos cursos, dos quais nem todos solicitam o apoio do NEI. No Núcleo, há materiais específicos para o atendimento dos alunos com deficiência, como livros de literatura em Braille, impressora em Braille, mouse e teclados adaptados e software específico para leitura instalados nos seus quatro computadores, que podem ser usados pelos alunos e servidores com deficiência quando for preciso.

A educação inclusiva no Brasil

 Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 6,7% da população brasileira tem deficiência. Diante disso, nos últimos anos, a perspectiva inclusiva vem sendo alvo de discussões, não apenas nas escolas, como também nas universidades.

 Por mais que a Declaração dos Direitos das Pessoas Deficientes, publicada na década de 1970, tivesse indicado aos países membros da Organização das Nações Unidas (ONU) que fossem assegurados ao Público-Alvo da Educação Especial (PAEE) direitos iguais a todos os seus concidadãos, no Brasil essa iniciativa se deu em todos os níveis de ensino, principalmente no âmbito do Ensino Superior.

 Já na década de 1980, a Constituição Federal de 1988 recomendou a implantação de políticas públicas sociais sobre a “inclusão social”, o que se deu nos anos 1990, após discussões sobre os Planos Plurianuais (PPAs) e os Planos Nacionais de Educação (PNEs), devido ao aumento no número de conclusões no Ensino Médio.

 Esse movimento dialogou com os princípios da “Declaração Mundial Sobre Educação Superior no Século XXI: visão e ação”, que aconteceu em 1998. Ainda nessa década, algumas universidades começaram a realizar iniciativas a fim de garantir a promoção do acesso e permanência de estudantes PAEE no Ensino Superior.

 Nos anos 2000, o Plano Nacional de Educação (2001-2010) ressaltou a importância do aumento de vagas no Ensino Superior brasileiro, inclusive ao PAEE. A Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência, nº 13.146 de 2015, após 15 anos em tramitação, teve seu texto aprovado e sancionado, ratificando a Convenção da Organização das Nações Unidas sobre os Direitos da Pessoa com Deficiência de 2008. Essa lei foi baseada nas demandas da população brasileira com deficiência, fazendo valer seus direitos e buscando a igualdade de todas as pessoas.

 Frente a esse breve histórico da educação inclusiva no Brasil, desde 2005 o “Programa Incluir” reconheceu que era importante desempenhar ações a fim de criar e consolidar núcleos de acessibilidade no âmbito das Instituições Federais de Ensino Superior (IFES).

 Pelo exposto acima, apesar das dificuldades orçamentárias ou mesmo de posturas que possam eventualmente divergir dos seus propósitos institucionais, a UNIFEI demonstra, cabalmente, a atenção e o cuidado que tem devotado à inclusão, especificamente à educação inclusiva.

Investimentos da UNIFEI em acessibilidade nos últimos anos 

ANO TOTAL ANUAL REALIZADO
2014 R$ 190.558,78
2015 R$ 449.545,74
2016 R$ 542.659,06
2017 R$ 225.874,82
2018 R$ 259.132,97
2019 R$ 284.871,94
ACUMULADO ANUAL REALIZADO R$ 1.952.643,31

AÇÕES DE EDUCAÇÃO INCLUSIVA NA UNIFEI EM 2019

III Ciclo de Formação Inclusiva

III Ciclo de Formação Inclusiva

 Nos dias 28 e 29 de março, aconteceu o III Ciclo de Formação Inclusiva, realizado no auditório do Centro de Estudos em Qualidade da Energia e Proteção Elétrica (QmaP), com a presença de cerca de 60 pessoas da comunidade interna da UNIFEI e professores das redes municipal e estadual de ensino. A organização contou com a participação do Núcleo de Estudos em Formação Docente, Tecnologias e Inclusão (NEFTI) e com apoio da Pró-Reitoria de Graduação (PRG).

 No evento foram oferecidas as oficinas “Cultura surda: Coisas que podemos e não podemos fazer ao lidar com os surdos”, com o palestrante Maxwell de Souza Damasceno, do Instituto de Ciências Tecnológicas (ICT), do campus da UNIFEI de Itabira, e “Sinais não é Libras”, com a professora Cláudia Regina Vieira, da Universidade Federal do ABC (UFABC), que ministrou ainda a palestra “As especificidades dos surdos e da língua de sinais”. Também foi realizada uma roda de conversa com o tema “A árdua tarefa da tradução – Trabalho colaborativo”.

Curso de LIBRAS em Itabira

Curso de LIBRAS em Itabira

 O Curso de Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS) Módulo I no campus da UNIFEI de Itabira foi ministrado por Maxwell de Souza Damasceno, com início em 05 de abril e término em 12 de julho.

 O objetivo da capacitação foi adequar o atendimento aos surdos na Universidade. Houve a participação de 25 pessoas, entre os quais estavam alunos, professores e servidores técnicos da UNIFEI, e quatro funcionários da empresa Vale, sendo uma surda, além de professores do ensino básico e representantes da comunidade itabirana.

IV Ciclo de Formação Inclusiva

IV Ciclo de Formação Inclusiva

 No dia 11 de abril, foi realizado o IV Ciclo de Formação Inclusiva, evento de iniciativa da Escola Estadual Novo Tempo de Educação Especial, de Itajubá, e do então NAI da UNIFEI. Como no mês de abril comemora-se o Dia Mundial do Autismo, o evento contemplou este tema com a palestra “Alterações comportamentais do aluno autista: desafios diários”, com a médica psiquiatra Rozana de Fátima Francisquin.

 O público-alvo desse evento foi a comunidade interna da UNIFEI e professores das redes municipal e estadual de ensino.

II Ciclo de Formação Inclusiva em Itabira

II Ciclo de Formação Inclusiva em Itabira

 Em 30 de maio de 2019 foi ofertada para a comunidade interna e externa da UNIFEI, no campus de Itabira, o II Ciclo de Formação Inclusiva, que teve como temática o Autismo.

V Ciclo de Formação Inclusiva

V Ciclo de Formação Inclusiva

 Nos dias 18 e 19 de junho foi ofertado o V Ciclo de Formação Inclusiva, no campus de Itajubá, intitulado “Praticar a inclusão é legal, é direito, é dever, é humano!” Ao todo, aconteceram quatro palestras e uma roda de conversa com a professora Valéria de Oliveira Silva, da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ).

 O evento foi elaborado para alunos, professores e servidores técnicos da UNIFEI e para professores das redes municipal e estadual de ensino.

Curso de LIBRAS em Itajubá

Curso de LIBRAS em Itajubá

 Com início em 21 de agosto e término em 27 de novembro de 2019, foi oferecido o curso básico de LIBRAS no campus sede, destinado para professores e técnicos da UNIFEI e para profissionais e estudantes da área da Educação na cidade de Itajubá. O curso teve carga horária de 30 horas e contou com o apoio da professora Ana Carolina Sales Oliveira, do IFQ, coordenadora do NEI.

Palestra sobre deficiência auditiva

Palestra sobre deficiência auditiva

 Em 25 de setembro, o NEI promoveu uma palestra “Deficiência auditiva e inclusão”, proferida pela fonoaudióloga Lídia Gonçalves, em virtude do Dia Nacional dos Surdos, comemorado em 26 de setembro. O evento aconteceu no auditório Professor João Luiz Carneiro Rennó, no campus de Itajubá, e contou com a presença de cerca de 110 pessoas, como alunos, professores e servidores técnicos da UNIFEI, além de membros da comunidade surda.

Setembro Azul em Itabira

Setembro Azul em Itabira

 Em 26 de setembro, aconteceu no campus de Itabira o evento Setembro Azul, também identificado como III Ciclo de Formação Inclusiva. A palestra com a temática surdez foi proferida por Maxwell de Souza Damasceno, membro do NEI.

 O objetivo foi fomentar reflexões e conscientizar profissionais, pais e toda comunidade sobre a importância e formas de promover a inclusão das pessoas com deficiência auditiva, em todos os níveis de ensino e na sociedade.

 Estiveram presentes 80 pessoas, distribuídas entre manhã e tarde, envolvendo pais de filhos com deficiência auditiva, profissionais da educação básica, do ensino superior e do Atendimento Educacional Especializado, alunos de graduação e pós-graduação, servidores da UNIFEI, pesquisadores da temática e representantes da comunidade de Itabira.

 O evento contou com apresentações artísticas feitas por deficientes auditivos, de manhã e à tarde. Houve também apresentações de várias entidades ligadas à pessoa com deficiência, palestras e mesa redonda com pais de deficientes auditivos. À tarde aconteceram três oficinas relativas ao tema.

 A mesa redonda sobre “Dificuldades enfrentadas no processo de inclusão do surdo na sociedade” foi mediada pela professora Luciana de Melo Gomides, do Instituto de Ciências Puras e Aplicadas (ICPA), e contou com a participação de Luciana Miranda Barbosa Mello, Roselle Maria Correa da Silva Santos e Enilsa Soares Gregório, membros da Associação de Pais e Amigos dos Surdos de Itabira (APASITA).

VII Seminário de Inclusão

VII Seminário de Inclusão

 Nos dias 17 e 18 de outubro, foi realizado no Auditório 1 do IFQ, no campus de Itajubá, o VII Seminário de Inclusão. No dia 17 de outubro, às 17 horas, aconteceu a mesa redonda intitulada “Identidades, gênero e relações étnico-raciais”. Às 19h30, a palestra “Transtorno do Espectro Autista: considerações clínicas” ficou por conta da Dra. Lília Maíse de Jorge.

 No dia 18 de outubro, às 10 horas, ocorreu a mesa redonda “Mulheres na Engenharia e nas Ciências”, com as professoras Elisângela de Jesus Cândido Moraes e Sandra Giacomin Schneider, ambas do campus da Universidade de São Paulo (USP) de Lorena – SP.

 A última mesa redonda, “Educação e trabalho na vida da pessoa com deficiência: relato de experiência”, ficou por conta de Cláudio Ferreira Teixeira, servidor do Tribunal de Contas de Volta Redonda – RJ, e de Hugo Nunes Machado, aluno da UNIFEI. O evento contou com a participação de alunos, professores e servidores técnicos da Universidade e de interessados na área da Educação.

III Encontro da Pessoa com Deficiência

III Encontro da Pessoa com Deficiência

 Nos dias 6 e 7 de novembro, aconteceu o III Encontro da Pessoa com Deficiência do campus de Itabira, contando com a participação de Roberto Carlos Pinto, vice-presidente da Associação dos Deficientes Visuais de Uberlândia (ADEVIUDI) e membro do Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa com Deficiência (CONPED); da psicóloga France Jane Elias Leandro e dos professores Guilherme de Souza Bastos, Cíntia Cristina Melo Campos e Lopes e Gizeli Aparecida de Almeida.

 O objetivo foi promover a eliminação de barreiras atitudinais, pedagógicas, arquitetônicas e de comunicação e conscientizar os servidores técnico-administrativos, o corpo docente, os alunos e a comunidade externa sobre o assunto.

 Estiveram presentes uma média de 100 participantes em cada dia, envolvendo toda equipe do NEI e contando com o apoio da Coordenação de Gestão de Pessoas e da Diretoria do Campus. O evento teve a participação de alunos, professores e servidores técnicos da UNIFEI, pais de filhos com deficiência e de outros interessados na área da Educação de Itabira e região.