Projeto da Unifei em Itabira oferece aulas gratuitas de capoeira

A musicalidade é um dos aspectos trabalhados durante a prática da capoeira.

Realizado desde 2017, o projeto envolve tanto a comunidade interna da Unifei de Itabira quanto a externa.

Uma das conquistas da capoeira foi o reconhecimento da sua roda como patrimônio imaterial pelo Iphan em 2008.

 

 Por meio de um projeto de extensão universitária, a Universidade Federal de Itajubá (Unifei), campus de Itabira, está oferecendo aulas gratuitas de capoeira. Voltadas a jovens e adultos e abertas também à população itabirana, as atividades são realizadas todas as terças e quintas-feiras, das 17h45 às 19h15, no Espaço 4ª Arte.

 Idealizado e coordenado pela professora Carolina Lipparelli Morelli, o projeto Sankofa Capoeira – Núcleo Unifei Itabira começou em outubro de 2017. Capoeirista há 15 anos, e professora da Universidade há um ano e dois meses, a docente falou sobre os diversos conceitos trabalhados por essa prática, que teve sua roda reconhecida como Patrimônio Imaterial em 2008 pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). “A capoeira trabalha vários aspectos, como a musicalidade, o desenvolvimento físico e emocional e a valorização da história afro-brasileira. Ela surgiu com o africano trazido para o Brasil na condição de escravo e representa a sua luta pela liberdade. Hoje é conhecida também como dança, jogo e brincadeira. Praticá-la é uma valorização da ancestralidade de matriz africana, algo muito importante para a cultura brasileira”, explicou a professora.

 Segundo Carolina, o projeto desenvolvido objetiva trazer a comunidade de Itabira para dentro dos espaços da Universidade e promover a interação entre o meio-acadêmico e a comunidade. “Em se tratando dos alunos, o oferecimento de atividades extracurriculares estimulantes dentro do campus favorece a sua maior ocupação e promove a afinidade deles com seu lugar de estudo, além de favorecer sua sociabilidade e adaptação à vida universitária”, explicou a professora.

 Ela informou que, desde o início do projeto, estima-se que cerca de 40 alunos participaram das aulas de capoeira e que, com a recente divulgação na mídia itabirana, alunos da comunidade começaram a aparecer para participar do projeto.

 A professora também disse que quanto à aceitação e à procura pelas aulas de capoeira, a quantidade de alunos presentes no projeto tende a variar com o período de provas e com o início e final do semestre. “O projeto é recente. Ele parou durante quase três meses, durante as férias universitárias, de dezembro a fevereiro, mas nota-se um aumento gradativo no número de participantes, que tende a aumentar com o aumento da divulgação”, detalhou ela.

Desafios

 Segundo a coordenadora do projeto, a capoeira se consolidou como uma luta de resistência, já que enfrentou diversos preconceitos ao longo da história, chegando, inclusive, a ser proibida no país.

 Para a professora, um dos principais desafios para a realização deste projeto no campus de Itabira é o fato de os alunos terem que conciliar os horários dos treinos com os de aulas e de transporte público, já que o campus da Unifei de Itabira é afastado do centro da cidade e a imensa maioria dos alunos depende de ônibus para locomoção. “Existem relativamente poucos horários de ônibus para o campus, que são bem espaçados entre si, sendo que, normalmente, o aluno tem que esperar mais de uma hora, caso perca seu ônibus. Isso dificulta um pouco, e, por isso, as aulas foram definidas às terças e às quintas-feiras das 17h45 às 19h15, entre o final da aula da maioria dos alunos, às 17h20, e a saída do ônibus, que eles geralmente pegam, às 19h30”, explicou ela.

 A professora disse também que, a cada semestre, os horários dos próprios alunos mudam, fazendo com que alguns não possam dar continuidade aos treinos, pois muitos têm aula à noite. “Em contrapartida, novos alunos chegam. É isso que acontece com atividades de extensão, mas acredito que cada aluno, independentemente de quanto tempo fica, consegue já agregar algo bom em sua vida”, comentou a professora.

Resultados

 Carolina também falou sobre os resultados esperados, de acordo com o edital para projetos de extensão deste ano, tanto para a universidade quanto para a comunidade e os participantes.

 Quanto à Unifei e à comunidade universitária, espera-se que haja a ocupação da Universidade e de seus espaços, por mais tempo, uma vez que as aulas semanais de capoeira criam novos espaços para permanência dos estudantes nessa atividade extracurricular, que fomenta o esporte, a saúde, a socialização e a transformação do indivíduo. Além dos participantes, as aulas de capoeira têm tido muitos alunos espectadores, que permanecem assistindo os treinos nos intervalos das aulas.

 Outro resultado esperado é a vinda da comunidade itabirana para dentro da Universidade, uma vez que todas as atividades previstas são abertas e gratuitas, com aulas semanais e oficinas de capoeira e mesas-redondas, entre outros. Também espera-se a ida dos estudantes da Unifei até a comunidade local, uma vez que estão previstas visitas dos alunos às academias de mestres e professores da cidade de Itabira, assim como a realização de rodas de capoeira em espaços públicos.

 Outra intenção do projeto é que haja ampliação do escopo de interação e de ação da Universidade com a comunidade itabirana, já que estão previstos debates sobre temas de grande importância social com convidados de órgãos municipais e da comunidade de Itabira e região. Objetiva-se também a ampliação da universalidade da universidade, através de ações sociais e desportivas.

 Com relação à comunidade de Itabira e região, ao oferecer aulas semanais de capoeira gratuitas no campus de Itabira, o projeto permite que pessoas que nunca entraram na Unifei possam conhecê-la. Ele objetiva ainda a criação de espaços abertos para discussão de temas de grande pertinência social, como a mulher na sociedade, a valorização de manifestações culturais tradicionais e a consciência negra. E também leva em conta a valorização de mestres e professores de Itabira e região convidados para oficinas e mesas-redondas.

 Quanto aos participantes, objetiva-se o bem-estar físico e emocional com favorecimento da saúde e da socialização através da realização de uma atividade em grupo; o aprendizado e a reflexão sobre processos sociais discriminatórios, bem como sobre a cultura afro-brasileira e sua valorização.

 Segundo a professora Carolina, com a prática dessa atividade, prevê-se o amadurecimento emocional, que se dá através do próprio jogo da capoeira, no qual o controle deve ser sempre mantido e o ímpeto agressivo, o orgulho, o individualismo e a vaidade são desvalorizados, já que o bom jogador deve manter a calma. “É um projeto gratuito e a ideia é que todo e qualquer interessado venha participar, de dentro e de fora da Universidade. Quando quiser, a pessoa pode vir e assistir um treino ou fazer uma aula experimental”, finalizou ela.

 Para mais informações sobre o projeto, os interessados devem entrar em contato com a professora Carolina Morelli, pelo e-mail carollmorelli@gmail.com.

 Homenagem às mulheres

 Neste ano, o projeto Sankofa Capoeira – Núcleo Unifei Itabira ajudou a organizar, no dia 10 de março, o evento “Tô na Praça”, em homenagem ao Dia Internacional da Mulher, na praça do Campestre, em Itabira. Na ocasião, participaram outros grupos e professores de capoeira da cidade e foi feita uma roda de capoeira, além do samba de roda.

 O evento gratuito foi promovido pelo Coletivo Mulheres na Praça e buscou criar alternativas de lazer e cultura em Itabira, com diversas atividades, como danças, músicas, brincadeiras e uma exposição de artesanatos locais, bazar e alimentação. Além disso, houve momentos de microfone aberto para que os participantes expusessem suas histórias, poemas e músicas.

 Mais informações sobre o evento podem ser obtidas no link: https://www.facebook.com/events/262409377632575/.