UNIFEI

Professor Da Unifei Detalha Projeto De Implantação Do Cth.

A proposta de criação de um Centro Nacional de Tecnologias de Helicópteros (CNTH) dentro do Parque Científico e Tecnológico de Itajubá, em terreno cedido pela Universidade Federal de Itajubá (Unifei), foi elaborada em resposta à demanda do governo relativa à necessidade de ações visando uma política brasileira para a competitividade para o setor de aeronaves rotativas. Hoje, o CNTH está incluído na Agência para o Setor Aeroespacial e de Defesa do Plano Brasil Maior e poderá vir a ser considerado como um Laboratório Nacional, do interesse tanto do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) quanto do Ministério da Defesa (MD).

Abaixo, o coordenador do “Programa CTH” da Unifei, professor Ariosto Bretanha Jorge, fala sobre o que há de concreto para a implantação desse projeto e quais as perspectivas e ganhos do município com o CNTH no município.

 

Como começou a ideia da implantação do CNTH?

Essa demanda surgiu através da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), que em um seminário para políticas de competitividade para asa fixa realizado em São José dos Campos, do qual nós tínhamos participado, assim como a Embraer, colocou a demanda de políticas de competitividade para asas rotativas no Brasil, que inclui principalmente os helicópteros.

Esse foi o começo da discussão, se haveria essa possibilidade. E foi quando propusemos a criação de um centro de tecnologias de helicópteros onde se concentrasse o ponto focal para o desenvolvimento da indústria de helicópteros como um todo. Quando eu falo como um todo seria um centro com interface com o governo, com a universidade, com a indústria e com outros setores e segmentos. Colocar como ponto focal o centro permitiria todo o desenvolvimento tecnológico da aeronave, seus componentes, motor, caixas de transmissão, estruturas, mas também o estudo do helicóptero como parte de um contexto maior.

 

E de imediato foi pensado o CNTH como parte do Parque Científico e Tecnológico?

A primeira coisa foi a proposta da existência de um centro, que em torno dele cresceria a indústria, com pequenas empresas incubadas; haveria desenvolvimento tecnológico das várias empresas do setor, como parcerias com a Helibras, por exemplo; parcerias com empresas de asas rotativas para gerador eólico, por exemplo. Com esse centro teríamos uma parte dele para pesquisa, como laboratório nacional, com a vantagem de ser uma estrutura complexa e cara, mas que outras pessoas podem usar. Por exemplo, o Laboratório Nacional de Astrofísica (LNA) recebe pesquisadores de outras universidades no observatório; como o CNTH também seria assim. E ao mesmo tempo ele teria núcleos de prestação de serviços, que poderiam ser para formação e capacitação de profissionais na área aeronáutica. Poderia ser para certificação de aeronaves para se aprovar um projeto, por exemplo, como um parceiro da ANAC.

O que fosse prestação de serviços seria melhor colocar junto ao aeroporto e o que for laboratórios de pesquisa e desenvolvimento realmente fica melhor junto ao Parque Científico e Tecnológico de Itajubá. Foi daí que nós colocamos a ideia e começamos a apresentá-la na forma original de três laboratórios, mas que migrou para quatro laboratórios. Inicialmente, tínhamos pensado em um laboratório de tecnologias aeronáuticas, um de projetos e estruturas e um de aerodinâmica e motores. Depois, em conversas com o Ministério da Defesa e com a diretoria do Centro de Tecnologias do Exército e da Marinha, achamos interessante criar também um laboratório de integração e sistema de defesa. Hoje, os quatro laboratórios que idealizamos seriam colocados dentro do Parque.

 

O senhor falou sobre o aeroporto e parcerias com empresas, citando a Helibras. A expansão da Helibras e a construção do aeroporto alavancou a criação do CNTH em Itajubá?

Um dos motivadores para colocarmos a proposta na forma de um centro é que toda compra, toda aquisição de uma aeronave, ou mesmo que alguma aquisição pelo Ministério da Defesa, superior a um determinado valor exige uma contrapartida, uma compensação financeira, definida através de um programa chamado offset. A compra das aeronaves 725 pelo governo brasileiro é uma compra de grande valor que cai dentro dessa lei, havendo a exigência do contrato offset. E dentro desse contrato nós da Unifei já entramos com um projeto de sistema de monitoramento de vibrações da aeronave e dentro desse projeto estamos recebendo uma transferência de tecnologia da França para centro de pesquisa brasileiro. Dois professores da Unifei e dois professores do ITA estão envolvidos e dois engenheiros da Helibras. Isso foi um começo. Nós também tínhamos a proposta de participação no desenvolvimento de um helicóptero novo, que seria um menor. Ou seja, nós temos a opção da nossa área de aeronáutica da universidade participar de projetos. Mas, se o centro já existisse, ele poderia ser um ponto focal de processos de transferência de tecnologias necessários porque é uma exigência legal ter esse acordo offset em grandes aquisições do governo brasileiro. Participamos de um projeto, mas com o centro poderíamos participar de muito mais, recebendo tecnologia, como entidade de governo, e em seguida repassando para as empresas. Repassar a tecnologia direto da Eurocopter para uma empresa pequena, por exemplo, é um risco, dessa empresa não sobreviver no mercado e essa tecnologia, que custou caro, não gerar ganho para a sociedade. Permanecendo em um centro de governo, que tenha interface com a universidade e outra com a indústria, temos a grande vantagem. Mas, vale lembrar que o centro não é um departamento da Helibras, que isso fique claro, que ele não tem o propósito de ser vinculado a uma única empresa. Temos a grande vantagem de ter a Helibras na cidade, que nos permite parcerias, e a gente até acredita que ela é a verdadeira âncora para o centro estar em Itajubá.

 

Professor, qual sua avaliação quanto ao ganho da cidade com a vinda do centro para cá e também para os alunos da Unifei?

O centro funcionará como uma âncora para o desenvolvimento do Parque Científico e Tecnológico de Itajubá. A ideia de trazer para a cidade esse centro traz também um conjunto de coisas. À medida que haja esse centro outras pequenas empresas podem ser nucleadas, incubadas e depois graduadas; e mesmo empresas maiores podem trazer seu setor de desenvolvimento para cá ou mesmo vir em sua totalidade. Para os alunos, oferece oportunidades de trabalharem temas de pesquisas, projetos de pesquisa e desenvolvimento, além disso, ofertas de estágio, empregos ou mesmo de serem empreendedores e criarem suas próprias empresas na área. Diferentes oportunidades podem aparecer. Não sabemos estimar quantas pessoas trabalhariam no centro, mas se pudéssemos estimar esse número o fator multiplicativo disso seria grande. Além do centro teríamos outras empresas em volta. Também conversamos com o governo de Minas, Secretaria de Ciência e Tecnologia, que também está muito interessado, e isso precisa ser mais bem trabalhado, em trazer uma Escola Técnica na área de Aeronáutica para a região de Itajubá. Uma escola técnica que tivesse também cursos técnicos temáticos na área de Aeronáutica. Mas, isso não é proposta do centro. É uma proposta paralela que nos foi apresentada. O município está interessado, nosso reitor já conversou com o prefeito que também se mostrou interessado e deve procurar uma área que a Prefeitura possa ceder para essa escola. Dentro do programa Brasil Profissionalizante seria necessário que a Prefeitura já tivesse um terreno para ceder.

 

O que já foi investido para a criação desse centro em Itajubá e o que há de concreto?

O que temos é que, inicialmente, tínhamos em uma reunião e junho conseguido recursos na ordem de R$ 6 milhões para um conjunto de estudos e projetos arquitetônico e executivo do Centro. Isso tinha sido acordado para ser distribuído em R$ 2 milhões para o MCTI e R$ 4 milhões para o governo de Minas, através da Secretaria de Ciência e Tecnologia, via Fapemig (Fundação de Amparo à Pesquisa de Minas Gerais).

Mas, ao longo das discussões, para operacionalizar, foi visto que os estudos, o máximo do estudo de viabilidade que o MCTI pode pagar seria R$ 1 milhão. Então, a outra parte do MCTI ele dará na forma de parte do projeto arquitetônico. Este, que tínhamos orçado inicialmente em R$ 4 milhões, básico, para todos os laboratórios, e o projeto executivo de cada um dos prédios separados, isso daria R$ 4 milhões. Mas, nos migramos para um prédio que tivesse estruturas fortes na lateral, mas vazios por dentro, de maneira que eu possa flexibilizar sua construção (…). Nisso, trocamos quatro projetos executivos, um pra cada prédio, por um só projeto, o que diminuiu o valor do projeto, que ficará assim: do total, R$ 2 milhões da Fapemig e R$ 1 milhão do MCTI, e mais R$ 1 milhão do estudo. Então, de seis, isso virou R$ 4 milhões. E negociamos com o governo de Minas que esses R$ 2 milhões que sobrariam já seriam obras de edificações já para o Centro. Além disso, a Unifei alocou no orçamento da Universidade, que já foi encaminhado para o Ministério da Educação (MEC), R$ 3 milhões em 2014, para investir em infraestrutura do Parque Tecnológico, que permitir iniciar o Centro.

Além disso, a Prefeitura Municipal de Itajubá já alocou no orçamento para 2014 R$ 1 milhão. Temos aqui uma carta do prefeito indicando que realmente a intenção de alocar R$ 1 milhão para investimentos em obras de infraestrutura da seguinte forma: pavimentar ruas para dar acesso à ponte que liga ao Parque, 800 metros de infraestrutura. Temos então um total de R$ 10 milhões entre 2013 e 2014. Já está acordado e estamos na fase operacional.

 

E existe uma previsão sobre em quanto tempo teremos o CNTH em Itajubá?

A nossa estimativa é que o orçamento da Universidade consegue começar a ser executado em abril do ano que vem. Essa é mais ou menos a estimativa da Prefeitura em executar o orçamento dela. A nossa estimativa para a realização do projeto depende da realização dos estudos, um deles é a definição da infraestrutura laboratorial que o centro terá. Por isso eu digo que prevemos um prédio flexível. Este tem que ser feito rápido, a primeira coisa a ser realizada. O modelo de governança e financiamento também precisa ser feito logo, para a gente poder ter o Centro como uma entidade. A reitoria tomou a decisão de criar o “Programa CTH” para que a gente pudesse ter um ponto inicial. À medida que esse núcleo for crescendo a reitoria já disponibilizou um local, com todo apoio enquanto o Centro não aconteça.

Acredito que em 18 meses, a contar de agora, tenhamos todos os estudos feitos e a partir dos estudos o projeto conceitual feito, depois o projeto arquitetônico básico e executivo; em seguida a infraestrutura da região até abril e a construção do prédio a partir daí.

 

Fonte: Jornal Itajubá Notícias – Edição 523/ 2013