A Universidade Federal de Itajubá (Unifei), campus de Itabira, promoveu uma roda de conversa sobre o tema “A organização popular como poder transformador”. Aberto à comunidade, o evento aconteceu no dia 16 de maio e contou com a participação de dois líderes sociais importantes: Revalina Aparecida, vice-presidente nacional da Central Única das Favelas (Cufa) e Airton Oliveira, presidente da Associação de Proteção à Maternidade e à Infância de Itabira (APMII).
A ação é fruto de uma parceria entre os projetos de extensão Sankofa Capoeira e 4ª Arte, da Unifei de Itabira, junto ao coletivo feminino itabirano Mulheres na Praça. Segundo Carolina Lipparelli Morelli, professora de Engenharia e de Capoeira no campus e organizadora da roda de conversa, o principal objetivo foi refletir sobre o poder das organizações populares e o fortalecimento de movimentos locais, além de trazer informação e aumentar a interação da comunidade itabirana junto ao meio acadêmico.
Airton Oliveira frisou que o envolvimento da população com as ações sociais de Itabira, como a APMII, é fundamental para que elas se mantenham ativas e transformando a cidade. O presidente da associação explicou como é o trabalho realizado por eles: “A função da nossa entidade é ocupar o tempo dos jovens com atividades sociais, como esporte, lazer, artesanato, pintura e dança, coisas que os instigam a sonhar em ser alguém”.
Além de explicar o trabalho realizado por eles, Airton falou sobre os resultados das atividades feitas pela associação: “Felizmente, a maioria daqueles que passaram por nossas mãos estão inseridos dentro da sociedade itabirana, consolidados em seus empregos e com um futuro pela frente”.
Revalina Aparecida, por sua vez, destacou como é importante que as discussões sobre os movimentos sociais de todos os âmbitos sejam levadas aos espaços universitários, como a Unifei. “É por meio da educação que nós vamos alcançar todos os níveis possíveis de melhoria, seja ela na questão étnico-racial, social ou política. Um cidadão bem informado sai do campus pronto para transformar as pessoas que estão lá fora. Eu mesma me tornei uma militante social dentro da universidade. Portanto, tenho convicção de que é a partir da educação que nós vamos conseguir combater todas as barreiras, sejam elas contra a homofobia, o racismo e outras lutas diárias”, detalhou ela.
Na roda de conversa também foi destacado o poder que os projetos de extensão possuem para formar um universitário mais crítico. “Acredito muito nos projetos de extensão que existem dentro dos centros universitários, porque é com essa dinâmica de participação social que nós vamos construir um universitário com uma visão mais crítica da sociedade. Envolvendo-se com esses projetos, o estudante reconhece a história do seu país, do seu estado e das pessoas que fazem parte da nação brasileira e que ainda são muito estigmatizadas”, afirmou Revalina.
Cufa
Reconhecida nacionalmente e internacionalmente nos âmbitos político, social, esportivo e cultural, a Central Única das Favelas (Cufa) existe há 20 anos e foi criada a partir da união entre jovens de várias favelas, principalmente negros, que buscavam espaços para expressarem suas atitudes, questionamentos ou simplesmente sua vontade de viver. Tendo o rapper MV Bill como um de seus fundadores, a organização promove atividades nas áreas da educação, lazer, esportes, cultura e cidadania.
APMII
A APMII é uma entidade não-governamental itabirana, sem fins lucrativos, que tem a finalidade de assistir a infância e a adolescência por meio de programas que visam sua promoção social, educacional e nutricional. A associação criou espaços nos quais os menores podem ser acolhidos, orientados sobre direitos e deveres, e estimulados a novas habilidades, assegurando-lhes os direitos previstos no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).


