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UNIFEI é destaque na IEEE Spectrum em reportagem sobre pequenos modelos de IA

A Universidade Federal de Itajubá (UNIFEI) ganhou destaque internacional. Uma reportagem publicada em julho pela IEEE Spectrum, revista da IEEE, a maior organização profissional do mundo dedicada à engenharia e às ciências aplicadas, colocou pesquisadores da instituição no centro de uma discussão global. O tema é que os pequenos modelos de IA podem levar tecnologia de ponta a lugares onde os modelos das grandes empresas de tecnologia não chegam. Não por acaso, a matéria, assinada pelo jornalista David Berreby, começa com uma imagem feita em Itajubá. Nela aparece o Laboratório de Usabilidade e Fatores Humanos da UNIFEI, onde está sendo testado um modelo de TinyML capaz de analisar eletrocardiogramas.

O principal especialista ouvido ao longo do texto é o professor Marcelo José Rovai, do Instituto de Engenharia de Sistemas e Tecnologia da Informação (IESTI) da UNIFEI, apontado como envolvido nos três projetos citados como referência na área: a detecção de mosquitos transmissores da malária, a identificação de infestações de formigas em um vinhedo no Uruguai e a realização de eletrocardiogramas por dispositivos Arduino em regiões do Brasil sem equipamentos médicos sofisticados. Para ele, esta é uma área muito importante da inteligência artificial na atualidade e que cresce a um ritmo acelerado.

Por que “pequeno” é, muitas vezes, melhor

Costuma-se chamar de pequeno modelo de IA aquele que reúne, no máximo, alguns bilhões de parâmetros — um número muito inferior aos grandes modelos, que ultrapassam um trilhão. Isso permite rodá-los diretamente em um celular ou em um dispositivo embarcado, consumindo apenas alguns watts e sem depender de uma conexão permanente com um data center. A relevância desse caminho se evidencia em um dado do Banco Mundial citado na reportagem: apenas 0,7% dos usuários de internet dos países mais pobres já usaram o ChatGPT, contra cerca de 25% dos usuários nas nações mais desenvolvidas.

Segundo Rovai, esses sistemas não são uma tecnologia distinta dos grandes modelos: muitos nascem da “poda” de modelos maiores, da destilação de conhecimento ou da redução da precisão numérica. O avanço é impulsionado por dois fatores: a evolução do hardware, com destaque para as unidades de processamento neural (NPUs) dos celulares, e o surgimento de modelos de código aberto como Gemma e Qwen, adaptáveis a cada aplicação. Para ilustrar, o pesquisador mostrou um Arduino UNO Q, um dispositivo de cerca de US$ 50 com chipset da Qualcomm, capaz de identificar focos de água propícios à reprodução de mosquitos, com consumo de apenas 3 watts.

Impacto social e o papel dos grandes modelos

A reportagem reúne exemplos do alcance da tecnologia. Na África, o RxScanner autentica medicamentos e combate falsificações que matam milhares de pessoas por ano. Na Índia, drones fotografam plantações de caju e detectam doenças, com todo o processamento feito no próprio equipamento. Reconhecendo esse potencial, o Banco Mundial passou a apoiar iniciativas do tipo com financiamento, mentoria e políticas públicas. Em Ruanda, respalda o acesso de famílias de baixa renda a dispositivos de IA.

Ainda assim, ninguém diz que os grandes modelos vão sumir. Como Rovai resume, para fazer uma IA funcionar em um dispositivo pequeno, é preciso usar os avanços de um modelo maior. “Precisamos dos grandes modelos para criar esses modelos menores.” Com a UNIFEI entre os protagonistas dessa história na IEEE Spectrum, Itajubá se destaca como um dos lugares onde o futuro da inteligência artificial já está sendo construído.

Fontes: reportagem “Small AI Models Gain Traction Around the World”, de David Berreby, IEEE Spectrum, julho de 2026 (spectrum.ieee.org/small-language-models-ai-pharmaceuticals), e material de divulgação da UNIFEI.