O Instituto de Recursos Naturais (IRN) da Universidade Federal de Itajubá (Unifei), juntamente com a Prefeitura Municipal de Itajubá, por meio da Secretaria de Meio Ambiente realizaram o I Seminário de Recursos Naturais, Sustentabilidade e Tecnologias Ambientais. O evento unificado objetivou concentrar as atividades realizadas pelos cursos das Engenharias Civil; Hídrica; Ambiental; Bioprocessos; Ciências Biológicas e Ciências Atmosféricas, contando com palestras, minicursos, apresentações de artigos e plenárias.
Participaram do Seminário compondo a mesa de abertura, o reitor da Unifei, professor Dagoberto Alves de Almeida; o prefeito municipal de Itajubá, Rodrigo Riêra; o diretor do IRN, professor Geraldo Lúcio Tiago Filho; o secretário Municipal do Meio Ambiente, Ricardo Augusto Corrêa Ferreira; o presidente da Comissão de Meio Ambiente da Câmara Municipal de Itajubá, vereador Antônio Raimundo Santi; o presidente do Conselho Municipal de Conservação e Defesa do Meio Ambiente (Codema), Jansen Francisco Correa Nogueira e a comandante do Grupo de Polícia Ambiental de Itajubá, sargento Luciana de Castro Vasconcellos.
Durante o evento, o público teve a oportunidade de participar da nona edição do Seminário de Meio Ambiente e Energias Renováveis (Semear); da 17ª edição do Seminário de Gestão e Uso da Água (Segus); da 2ª. edição da Semana Acadêmica da Biologia da Unifei (SemBio); do 4º. Seminário de Ciências Atmosféricas (Sciat); da 1ª. Semana de Bioengenharia Unifei (Sebien); da 7ª. edição do Seminário de Sustentabilidade (SemSu) e do 4º. Seminário de Tecnologias e Edificações Sustentáveis (Setes).
Na cerimônia de abertura, o presidente do Codema, Jansen Francisco Correa Nogueira, entregou certificados de “Amigos do Meio Ambiente” à membros da sociedade itajubense que atuaram em benefício da questão ambiental no município. Na sequência, foi realizada a assinatura do convênio para sustentabilidade da Incubadora Tecnológica de Cooperativas Populares (Intecoop), uma parceria entre a Unifei, a Fundação Apoio ao Ensino, Pesquisa e Extensão de Itajubá e a Prefeitura Municipal de Itajubá.
O reitor da Universidade, professor Dagoberto Alves de Almeida, afirmou em seu pronunciamento, que o Seminário traduz o ensino de qualidade, a aprendizagem e a pesquisa como focos da instituição.
Pronunciamento do reitor Dagoberto de Almeida na abertura do I Seminário de Recursos Naturais, Sustentabilidade e Tecnologias Ambientais:
" Qual é o foco da universidade?
É o ensino de qualidade: com docentes comprometidos, que cumprem o currículo e se desdobram para que seus alunos aprendam…
A pesquisa que não seja diletante ou apenas maquiando um desejo incessante da publicação acadêmica como um fim em si mesma, mas que de fato crie conhecimento e valor para a nação brasileira e o bem da humanidade…
A extensão que não use os parcos recursos da universidade para o enriquecimento de alguns, mas que seja capaz de permitir que a instituição seja adequadamente remunerada e que, acima de tudo leve a competência técnica da instituição para o bem da sociedade…
O objetivo desta administração é com a universidade, o que significa atender nossas necessidades básicas: uma infraestrutura capaz de garantir o cumprimento de nossas obrigações como docentes e pesquisadores e o entendimento que a gestão é meramente um agente pra isso.
Afinal, tenhamos todos nós orgulho de nossa instituição centenária, que tem uma história digna e bela que merece ser conhecida pelas novas gerações. Afinal, nossa UNIFEI é uma construção de todo dia, pois que é sempre inacabada e que necessita nosso comprometimento na busca incessante do aprimoramento constante.
Nesses tempos bicudos que se avizinham, com dificuldades orçamentárias, falar em racionalização, sustentabilidade, meio ambiente, água…, é uma necessidade. E por isso, até para que reflitamos e que sirva de exemplo a essa geração que deve procurar fazer desse nosso país um lugar melhor para viver, gostaria de lhes falar do geólogo alemão HERBERT LINDENBEIN: um estrangeiro, como muitos que foram acolhidos pela nossa instituição, e que – no caso dele – tanto benefício nos trouxe. Que sua honrosa passagem pela UNIFEI nos sirva de exemplo.
Diz o jornal Sul de Minas em texto do ex-aluno Aloísio Pizarro: “Nasceu em 5 de maio de 1893, na cidade de Bordeaux, no sul da França, filho de pais alemães, Reinaldo e Emy Lindenbein, ambos preferiram optar pelo registro de nascimento do filho com a nacionalidade alemã. Fez seus primeiros estudos em Bordeaux, mudando-se depois para Genebra, na Suíça, onde completou o curso colegial no Colégio de Genebra. Em abril de 1910 diplomou-se Bacharel em Ciências Naturais. Em novembro do mesmo ano foi nomeado Assistente de Química analítica da mesma universidade, onde foi diplomado Engenheiro Químico, em 1921. Jovem e tenaz decidiu continuar seus estudos tornando-se Doutor em Ciências Físicas pela mesma universidade. Logo após o jovem Lindenbein iniciou sua carreira como Engenheiro Assistente na Usina Siderúrgica Jorge Marco em 1921, na Alemanha. Trabalhando com dedicação, uma promissora carreira já se delineava para ele. Entretanto, o estudo da geologia e da natureza fascinava-o. Lindenbein tomou a decisão mais importante de sua vida; após trabalhar dois anos na siderúrgica alemã, desligou-se da empresa e partiu para o Brasil. Foi morar no Estado do Paraná. Por intermédio de um amigo francês radicado no Brasil, tomou conhecimento da existência do Instituto Eletrotécnico de Itajubá. Viajou para Minas e foi contratado para lecionar no IEMI. Em 4 de Maio de 1923, Lindenbein tornava-se professor, iniciando nova etapa de sua vida. Sua competência logo se fez sentir, por intermédio das disciplinas de Geologia e Noções de Metalurgia. Organizou em pouco tempo uma coleção de tipos de rochas existentes no Brasil. Em 1924, ao lado de outro professor europeu, Fritz Hoffmann, e do Engenheiro Prof. Rodrigues Seabra, formavam um trio de alta competência na formação dos engenheiros. Em 5 de Julho de 1958, o Prof. Lindenbein aposenta-se do Instituto Eletrotécnico. Em 7 de Novembro de 1962, com 69 anos de idade, faleceu o Prof. Herbert Lindenbein.”
Uma parte pequena desse acervo de rochas, o pouco que escapou da sanha e descaso que por tanto tempo foram comuns em nossa instituição, está hoje disponível no IRN e, espero, possa agora ser utilizado pelos nossos alunos.
Meus caros alunos e demais presentes, quem vos fala não é apenas essa pessoa que hoje ocupa o honroso cargo de Reitor, mas o jovem que um dia fui. Um universitário que quando aluno dessa instituição foi levado para as dependências do batalhão nos anos de chumbo da ditadura conjuntamente com outros colegas que escreveram artigos variados no Jornal O Dínamo. Em meu caso, como redator do jornal e porque me atrevi a escrever um artigo que versava sobre ecologia e o cuidado que todos temos que ter, em especial as autoridades, com nosso meio ambiente…
Enfim, como dizia Guimarães Rosa, um dos maiores escritores brasileiros, que tanto amava nosso povo e nossa terra: “O correr da vida, embrulha tudo. A vida é assim, esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem”.
Guimarães Rosa ainda disse: “A água de boa qualidade é como saúde ou a liberdade: só tem valor quando acaba” A todos meu muito obrigado e meu desejo de que aproveitem esse encontro e que possamos contribuir positivamente com o planeta no qual vivemos.
Ah, e para os meus caros alunos: leiam mais!"
”

